Itaú e Bradesco aumentaram suas taxas mínimas de financiamento imobiliário em menos de uma semana. Os reajustes refletem a escalada dos juros futuros após as eleições.
O Itaú elevou o piso para 12,95% ao ano a partir de 29 de outubro, ante 11,99% ao ano mais Taxa Referencial. O Bradesco, por sua vez, saltou para 15% ao ano.
Juntos, Itaú e Bradesco responderam por 41,4% do crédito com recursos da poupança em 2026, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança. As mudanças afetam diretamente o bolso de quem busca financiar a casa própria.
Operações acima de 12% ao ano não dão direito ao FGTS para entrada ou abatimento e elevam o custo total do contrato.
Por que os bancos ajustaram as taxas

Os bancos justificam o reajuste pelas oscilações nas curvas de juros futuros, que subiram após o segundo turno das eleições. O Itaú informou que o ajuste busca refletir as condições atuais de captação e preservar a sustentabilidade das operações.
Já o rendimento dos títulos brasileiros de cinco anos subiu mais de 2,5 pontos percentuais após as eleições, pressionando toda a estrutura de custos do crédito imobiliário.
O crédito habitacional depende fortemente de recursos captados no mercado financeiro, o que expõe as taxas às variações dos juros projetados para os próximos anos. A participação da caderneta de poupança no crédito imobiliário caiu de 34% em dezembro de 2023 para 29% em dezembro de 2025, segundo o Banco Central.
Quando a poupança escasseia, os bancos recorrem às Letras de Crédito Imobiliário (LCIs). O custo desses instrumentos acompanha de perto os juros futuros.
Diferenças na magnitude dos aumentos
Os três bancos não elevaram suas taxas na mesma proporção. O Bradesco aumentou a taxa em 3,3 pontos percentuais, de 11,69% para 15% ao ano mais Taxa Referencial. O Itaú seguiu o padrão histórico do setor, enquanto o Santander ficou em uma posição intermediária, com nova taxa de 12,49% ao ano.
O Itaú concentrou 25,2% dos R$ 132,5 bilhões concedidos em crédito imobiliário com recursos da poupança entre janeiro e agosto, conforme a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança.
Seu peso no mercado faz com que qualquer mudança de taxa tenha repercussão maior sobre o volume total de crédito liberado aos compradores de imóveis no país.
O impacto no enquadramento legal
Ainda que o reajuste do Itaú seja menor que o do Bradesco, sua taxa mínima ultrapassa o teto de 12% ao ano previsto pelo SFH. Operações acima desse limite deixam de seguir as regras do SFH e passam para o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), modalidade em que os juros são negociados livremente entre banco e cliente.
A Selic estava em 13,75% ao ano no momento da reportagem, com o Copom agendado para anunciar sua decisão no dia 4 de novembro. O custo do crédito imobiliário tende a continuar pressionado enquanto as grandes instituições ajustam suas taxas ao cenário de juros futuros mais altos.
A Caixa, que respondeu por 48,6% do mercado de crédito com recursos da poupança no período, disse estar em período de silêncio por causa da divulgação de resultados. O Banco do Brasil também mantém silêncio pelo mesmo motivo.
Com o movimento do Itaú e do Bradesco já consolidado, o mercado aguarda a próxima decisão das demais instituições financeiras sobre o tema.
Como a curva de juros futuros pressiona o custo do financiamento
O financiamento imobiliário funciona como um empréstimo de longo prazo, mas o banco não usa apenas o dinheiro da poupança. Quando esse recurso escasseia, ele busca dinheiro no mercado financeiro por meio de instrumentos como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs).
O custo dessas letras acompanha de perto os juros futuros, ou seja, as expectativas do mercado para as taxas nos próximos meses ou anos.
Quando essas expectativas mudam, como aconteceu após as eleições, o custo de captar dinheiro sobe imediatamente. O banco repassa essa alta ao cliente final e eleva a taxa mínima de financiamento. É um efeito dominó: juros futuros sobem → captação fica mais cara → taxa do financiamento aumenta.
O que fazer antes de assinar um financiamento imobiliário agora
- Compare as condições oferecidas por diferentes bancos — nem todos reajustaram suas taxas na mesma proporção, e a Caixa, maior financiadora, ainda não anunciou alteração
- Olhe o Custo Efetivo Total (CET), não apenas a taxa de juros. Duas propostas com juros semelhantes podem ter custos finais muito diferentes, pois o CET inclui juros, correção pela TR, seguros obrigatórios, tarifas e outros encargos
- Verifique qual índice será usado para atualizar o contrato durante o financiamento — a maioria usa TR, mas existem linhas atreladas ao IPCA que costumam ter taxa de juros menor
- Confirme se sua operação ficará enquadrada no SFH ou no SFI, pois isso determina se você pode usar o FGTS





