Sem o uso de argamassa, um asceta sul-coreano dedicou cerca de três décadas de sua vida a empilhar pedras, sozinho, numa montanha, dando origem a mais de 80 torres. O conjunto é conhecido atualmente como complexo de Tapsa e está localizado dentro do Parque Provincial do Monte Maisan, no município de Jinan, território sul-coreano.
Entre essas construções, há torres que ultrapassam 15 metros de altura e seguem firmes até hoje. As torres são atribuídas a Yi Gap-Ryong, que viveu entre 1860 e 1957. A tradição local conta que ele deixou a rotina de vida espiritual depois de uma revelação divina e começou a erguer as torres na encosta da montanha.
Formas variadas, mesma técnica artesanal
Cada torre tem um desenho próprio, e há construções estreitas e pontiagudas ao lado de outras com base larga e silhueta cônica, lembrando pirâmides de pedra espalhadas pela paisagem.
Moradores costumam destacar, entre as construções, a chamada Torre do Céu e da Terra, ligada a tradições religiosas e aos pontos cardeais. O interesse pelo lugar cresce justamente pela diversidade de formatos reunidos num único trecho de montanha, algo raro mesmo em outros santuários de pedra pelo mundo.
O que intriga visitantes e moradores é a resistência das pedras empilhadas sem qualquer fixação. As torres enfrentam chuvas fortes e ventos intensos há décadas sem desmoronar. A forma como Yi Gap-Ryong organizava cada peça ainda não tem explicação técnica detalhada.
Essa durabilidade deu origem a histórias sobre poderes sobrenaturais atribuídos ao construtor, incluindo relatos de que ele conseguiria mover pedras por meios inexplicáveis. Não existe comprovação para essas lendas, mas elas continuam vivas no folclore da região e reforçam o mistério em torno da obra.

Reconhecimento como patrimônio local
O complexo de Tapsa foi reconhecido oficialmente como patrimônio cultural regional em 1976, quase duas décadas depois da morte de seu construtor. Essa chancela consolidou o local como um dos pontos mais procurados do Monte Maisan, onde as torres dividem espaço com formações rochosas naturais.
Hoje, quem visita o parque encontra lado a lado a obra humana erguida ao longo de três décadas e a geologia natural da montanha, em um contraste que resume a história silenciosa de um homem que dedicou a vida a transformar pedra em paisagem.





