Uma pessoa com anemia — doença na qual o corpo possui os glóbulos vermelhos necessários ou não consegue produzir a quantidade de hemoglobina adequada para transportar oxigênio aos tecidos — geralmente sofre com cansaço, palidez na pele, dores no peito, dores de cabeça, batimentos cardíacos acelerados, falta de ar, tontura e sensação de desmaio. Entre as opções de tratamento está a mudança na alimentação. Diante disso, alimentos ricos em ferro pode ser excelente aliados.
Feijão está entre as opções mais simples
O ferro participa da produção das células vermelhas do sangue e é fundamental para que o organismo consiga transportar oxigênio. Por isso, quando a anemia está relacionada à deficiência desse mineral, aumentar a presença de alimentos que fornecem ferro pode fazer parte da estratégia nutricional.
O feijão é uma das opções mais práticas para isso porque já integra a alimentação cotidiana de muitas pessoas. Lentilha, grão-de-bico, ervilha e outras leguminosas também fornecem o mineral e podem aparecer em preparações diferentes ao longo da semana.
A vantagem é que esses alimentos não precisam necessariamente ocupar o lugar de uma refeição inteira. O feijão pode continuar acompanhando arroz, enquanto lentilhas e grão-de-bico podem ser utilizados em saladas, sopas, ensopados e outras receitas.
Carnes e vísceras fornecem uma forma de ferro mais aproveitada pelo organismo
As fontes animais também merecem atenção quando o objetivo é aumentar a ingestão de ferro. Carnes vermelhas, fígado e outros miúdos, além de aves e peixes, aparecem entre os alimentos que fornecem o mineral.
Existe ainda uma diferença na maneira como o organismo aproveita o ferro proveniente dos alimentos. O ferro encontrado em produtos de origem animal apresenta maior aproveitamento pelo corpo do que aquele presente nas fontes vegetais.
Isso não significa que uma alimentação sem carne seja incompatível com uma dieta que forneça ferro. Feijões, lentilhas, grão-de-bico, folhas verde-escuras, castanhas e outros vegetais também contribuem para o consumo do mineral, mas a composição da dieta precisa ser planejada de acordo com as necessidades de cada pessoa.
Folhas verde-escuras também podem entrar no prato
Couve, agrião, taioba e cheiro-verde são exemplos de vegetais que podem contribuir para a ingestão de ferro. Eles podem ser incorporados ao almoço e ao jantar sem exigir mudanças muito grandes na rotina alimentar.
No caso das refeições baseadas em alimentos vegetais, existe outro ponto importante: a presença de vitamina C pode favorecer o aproveitamento do ferro pelo organismo. Laranja, acerola, goiaba e limão são exemplos de alimentos que fornecem essa vitamina.
Assim, combinar diferentes grupos na mesma alimentação pode ser mais relevante do que simplesmente escolher um único alimento considerado rico em ferro. Uma refeição com feijão acompanhada de uma fonte de vitamina C, por exemplo, reúne nutrientes que atuam de maneira complementar na utilização do mineral.
O que evitar para não interferir na absorção do ferro?
A composição da refeição não é o único fator que importa. Algumas bebidas consumidas próximas das refeições podem dificultar a absorção do ferro, especialmente quando fazem parte de uma rotina frequente.
O Ministério da Saúde recomenda evitar o excesso de chá ou café junto às refeições quando há necessidade de melhorar o aproveitamento do mineral. Dessa forma, o horário dessas bebidas pode ser considerado na organização da alimentação de quem apresenta deficiência de ferro.
Esse cuidado é diferente de simplesmente retirar café ou chá do cardápio. A questão está principalmente na proximidade com as refeições e no impacto que isso pode ter sobre a utilização do ferro presente nos alimentos.
Alimentação não substitui a investigação da causa
Apesar da importância do ferro na anemia ferropriva, nem toda anemia acontece pela falta desse mineral. Deficiências de outros nutrientes, como vitamina B12, além de diferentes condições de saúde, também podem provocar alterações na produção das células do sangue.
Por isso, sintomas como cansaço, palidez, tontura e falta de ar não são suficientes para determinar que uma pessoa esteja com anemia por deficiência de ferro. O diagnóstico depende de avaliação clínica e exames laboratoriais.
Quando a deficiência de ferro é confirmada, a alimentação pode fazer parte do tratamento, mas algumas pessoas também precisam de suplementação ou medicamentos, conforme a avaliação do profissional de saúde. A quantidade de ferro necessária e a melhor forma de corrigir a deficiência dependem da causa e da situação de cada paciente.
Dessa forma, incluir feijão, lentilha, carnes, vísceras, peixes, folhas verde-escuras, castanhas e outros alimentos que fornecem ferro pode contribuir para uma alimentação adequada, especialmente quando essas escolhas são combinadas com fontes de vitamina C. O mais importante, porém, é entender se a anemia realmente está relacionada à deficiência do mineral antes de transformar mudanças na dieta em tentativa de tratamento por conta própria.





