Sessenta e dois mil hectares de terra na costa patagônica foram usados durante décadas como pasto para rebanhos de ovelhas, e hoje formam um refúgio para uma das maiores colônias de pinguins-de-magalhães da Argentina.
Na costa do Mar Argentino, na província de Santa Cruz, o Parque Nacional Monte León tem 30 quilômetros de litoral.
A criação do parque transformou uma propriedade agrícola que chegou a sustentar mais de 40 mil ovelhas em uma área protegida dedicada à conservação da vida silvestre.
Ali a Administração de Parques Nacionais registrou 134 espécies de aves e 28 de mamíferos, entre guanacos, raposas, lobos-marinhos e pumas.
Antiga fazenda com 40 mil ovelhas virou parque na Argentina com mais de 40 mil casais de pinguins
A estância Monte León alcançou seu auge produtivo por volta de 1920, quando contava com 40.535 ovelhas, 300 cavalos, oito vacas e um touro, segundo registros locais.
A pecuária permaneceu a principal atividade econômica da região durante a maior parte do século XX, moldando a paisagem e a economia local.
A partir da década de 1970, o rebanho começou a encolher. Oscilou entre 11 mil e 20 mil cabeças até o fim de 2001, quando toda a produção ovina foi encerrada.
A Fundación Vida Silvestre Argentina, com apoio da Patagonia Land Trust, comprou as terras e, em novembro de 2002, as doou à Administração de Parques Nacionais.
O órgão oficializou a criação do Parque Nacional Monte León em 2004.
Sem a pressão do pastoreio, o território se restabeleceu de forma natural.
A ausência de gado permitiu o retorno e a multiplicação de espécies nativas, transformando uma terra dedicada à produção em habitat protegido.
A colônia de pinguins-de-magalhães que se formou ali figura entre as mais importantes do país.
Recuperação da fauna e novos desafios
Apesar do sucesso da conservação em Monte León, a espécie enfrenta ameaças em outras regiões.
A população total de pinguins-de-magalhães é estimada em aproximadamente 3 milhões de indivíduos.
Mas cerca de 20 mil adultos morrem anualmente nas costas de Chubut por causa de petróleo descartado por navios petroleiros.
As mudanças climáticas também representam risco. A malária aviária é uma ameaça crescente, e alterações no clima podem expandir a distribuição geográfica dos mosquitos transmissores em áreas próximas às colônias, segundo especialistas que acompanham a espécie.
Monte León exemplifica como terras anteriormente dedicadas à pecuária extensiva podem se transformar em refúgios de biodiversidade quando a pressão produtiva cessa e a proteção legal é estabelecida.





