Você sabia que existe um subtipo de câncer de mama mais agressivo do que o normal? Trata-se do câncer de mama triplo-negativo, considerado o pior prognóstico da doença. Além disso, ele possui limitação em relação às opções terapêuticas. Diante desse cenário, na terça-feira (8), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicou no Diário Oficial da União uma resolução que libera novas indicações para um remédio que amplia as opções de combate a essa enfermidade.
A resolução é de nº 3.448, que traz duas novas indicações de uso para o remédio Trodelvy (sacituzumabe govitecana), que atua justamente contra o câncer de mama triplo-negativo. Vale destacar que o uso de medicamento é realizado em adultos.
Quais são as novas possibilidades de tratamento
A principal mudança está relacionada ao momento em que o medicamento pode ser utilizado. As novas regras permitem que o Trodelvy seja empregado como tratamento de primeira linha em determinados pacientes com câncer de mama triplo-negativo avançado.
Uma das situações envolve pacientes adultos que apresentam tumores que não podem ser retirados por cirurgia, estão localmente avançados ou já apresentam metástase. Nesses casos, o Trodelvy poderá ser administrado em conjunto com o pembrolizumabe quando o tumor apresentar expressão de PD-L1 com escore combinado positivo (CPS) igual ou superior a 10.
A segunda possibilidade também contempla pacientes com doença irressecável, localmente avançada ou metastática. A diferença é que o Trodelvy poderá ser utilizado sozinho quando a pessoa não for candidata a medicamentos que bloqueiam as proteínas PD-1 ou PD-L1.
Dessa forma, a decisão da Anvisa amplia o momento em que o medicamento pode entrar no tratamento. Antes, o registro brasileiro previa o uso do sacituzumabe govitecana como monoterapia para pacientes adultos com câncer de mama triplo-negativo irressecável ou metastático que já haviam recebido pelo menos duas terapias sistêmicas anteriores, incluindo uma para a doença em estágio avançado.
Como o Trodelvy funciona contra o tumor
O medicamento pertence a uma classe chamada conjugado anticorpo-fármaco, conhecida pela sigla ADC. Esse tipo de tratamento combina duas funções: uma parte do medicamento reconhece uma característica específica das células tumorais e outra transporta uma substância capaz de destruí-las.
No caso do sacituzumabe govitecana, o alvo é a proteína Trop-2, encontrada na superfície das células cancerígenas. Depois que o medicamento se liga a essa estrutura, o composto consegue levar o agente quimioterápico até a célula do tumor.
A estratégia busca aumentar a concentração da substância dentro das células que apresentam o alvo, fazendo com que a ação do tratamento seja direcionada ao tecido tumoral. Isso não significa que os efeitos adversos da quimioterapia sejam eliminados, mas modifica a maneira como o agente é entregue ao organismo.
Por que o câncer de mama triplo-negativo exige atenção
O câncer de mama triplo-negativo recebe esse nome porque as células do tumor não apresentam três alvos que são utilizados em outras formas da doença: os receptores de estrogênio, de progesterona e a proteína HER2.
Essa característica interfere diretamente na escolha do tratamento. Como esses alvos não estão presentes, terapias hormonais e medicamentos direcionados especificamente ao HER2 não são opções para esse subtipo.
O resultado é um cenário terapêutico mais restrito, principalmente quando a doença chega a estágios avançados. Segundo a Anvisa, o câncer de mama triplo-negativo está associado a comportamento agressivo, pior prognóstico e rápida progressão em pacientes com doença localmente avançada que não pode ser retirada por cirurgia ou com metástase.
Nova indicação amplia o uso de um medicamento já registrado
O Trodelvy não é um medicamento que chegou agora ao mercado brasileiro. O primeiro registro da Anvisa ocorreu em 2022, quando a agência autorizou o uso do sacituzumabe govitecana em adultos com câncer de mama triplo-negativo irressecável ou metastático que já haviam passado por pelo menos duas terapias sistêmicas anteriores.
A resolução publicada em setembro modifica justamente esse cenário ao permitir que o tratamento seja considerado antes, em determinados pacientes com doença avançada ou metastática. Ou seja, a novidade não está na criação de um novo medicamento, mas na ampliação das situações em que uma terapia já conhecida pode ser utilizada.





