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Asteroides podem ter uma espécie de escudo natural que os mantém afastados dos planetas

Por Jeferson da Rosa
12/09/2026
Asteroides espécie escudo natural mantém

Asteroides podem ter uma espécie de escudo natural que os mantém afastados dos planetas - Imagem: Pixabay

Um mecanismo gravitacional pode proteger naturalmente asteroides que compartilham a órbita com planetas do Sistema Solar. 

A descoberta veio de uma pesquisa liderada por Valerio Carruba, da Faculdade de Engenharia e Ciências da Unesp, câmpus de Guaratinguetá. 

O estudo mostra como esses corpos escapam de colisões ao longo de milhares de anos.

Asteroides podem ter uma espécie de escudo natural que os mantém afastados dos planetas

O trabalho conquistou o CELMEC IX Prize, entregue pela Sociedade Italiana de Mecânica Celeste e Astrodinâmica. 

O estudo contou com a colaboração de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da Universidade de Atacama e integra o grupo Machine Learning Applied to Small Bodies.

A pesquisa foi publicada na revista Celestial Mechanics and Dynamical Astronomy. 

O CELMEC IX Prize reconhece artigos originais publicados nas coleções especiais da revista, e outras duas pesquisas também foram selecionadas para o prêmio.

A proteção nasce do encontro entre dois fenômenos distintos. 

A ressonância de movimento médio 1:1 faz o asteroide levar praticamente o mesmo tempo que o planeta vizinho para dar uma volta completa ao redor do Sol. 

Já o mecanismo von Zeipel-Lidov-Kozai provoca variações constantes na forma e na inclinação da trajetória.

Essas variações seguem um padrão de compensação: quando a excentricidade da órbita cresce, a inclinação diminui, e o oposto também ocorre.

Em certas condições, um parâmetro chamado argumento do periélio para de girar livremente entre 0° e 360°, e passa a balançar em torno de ângulos fixos, um efeito batizado de libração, que trava a geometria orbital e afasta o asteroide de aproximações arriscadas com o planeta.

Para investigar o alcance do escudo gravitacional, a equipe rodou simulações computacionais cobrindo 100 mil anos, somando as interferências de todos os planetas do Sistema Solar e da Lua. 

Essa alternância ajuda a explicar por que alguns desses corpos parecem estáveis por longos períodos e depois entram em rotas mais próximas do planeta.

Nos co-orbitais da Terra que mantiveram o estado ZLK robusto, com libração ao redor de 0° e 180°, nenhum encontro próximo apareceu nos resultados. 

Já entre os objetos sem essa configuração, os encontros foram registrados normalmente.

Por que faltam asteroides no catálogo?

Encontrar esses corpos no céu é uma tarefa complicada. 

Planetas rochosos têm massa bem menor que gigantes gasosos como Júpiter e Netuno, o que reduz o tamanho das zonas de estabilidade onde um co-orbital consegue se manter. 

Além disso, vários desses asteroides ficam posicionados perto da direção do Sol.

No caso dos objetos ligados a Vênus, isso limita as janelas de observação a poucas semanas a cada seis anos. 

Um dado das simulações reforça essa dificuldade: asteroides com excentricidade abaixo de 0,38 tenderiam a passar despercebidos pelos instrumentos atuais, conforme mostrou o levantamento da FAPESP. 

Isso explica a ausência desses corpos nos catálogos existentes até agora.

Hoje são conhecidos 21 co-orbitais de Vênus, 54 da Terra (com mais 15 classificados como temporários) e 48 de Marte, enquanto nenhum foi confirmado ao redor de Mercúrio.

Nem todo co-orbital está sob esse escudo, e o asteroide 2025 TV10, identificado pelo grupo como um novo co-orbital de Vênus, não se encaixa no estado ZLK robusto, e mantém uma órbita próxima da distância mínima em relação à Terra, o que favorece aproximações ao longo de milhares de anos.

Segundo Carruba, o asteroide é muito pequeno e provavelmente seria destruído ao entrar na atmosfera em caso de colisão. 

Em Marte, apenas um corpo apareceu protegido pela configuração estável: o 2017 XG62, que permanece numa geometria orbital capaz de mantê-lo afastado de encontros com outros planetas rochosos.

O encontro internacional será realizado entre 14 e 18 de setembro em San Martino al Cimino, na Itália. 

Os três trabalhos premiados serão apresentados nessa ocasião, e o grupo MASB já havia recebido um prêmio CELMEC em 2023.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Jeferson da Rosa

Jeferson da Rosa

Jornalista apaixonado pela profissão.

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