A estação espacial chinesa Tiangong inaugurou oficialmente a primeira fritadeira elétrica a ar quente (air fryer) do mundo projetada para operar em microgravidade.
O equipamento, entregue à órbita a bordo da espaçonave tripulada Shenzhou-21 no dia 31 de outubro de 2025, permitiu que os seis taikonautas a bordo realizassem o que a imprensa internacional batizou de “o primeiro churrasco do espaço”: seis asas de frango marinadas ao estilo Nova Orleans e três bifes de pimenta-do-reino, assados em cerca de 20 minutos.
A informação foi divulgada nesta semana por Liu Weibo, especialista do Centro de Pesquisa e Treinamento de Astronautas da China, em entrevista à agência estatal Xinhua. Segundo Liu, a renovação da “cozinha espacial” faz parte de um programa para elevar o nível de suporte à vida dos tripulantes durante estadias de longa duração em órbita.
“Estamos continuando a elevar o nível de suporte à vida dos astronautas em órbita. A variedade, a qualidade, o sabor, a aparência e o valor nutricional da comida espacial estão ficando cada vez melhores”, afirmou Liu.
Tecnologia adaptada ao vácuo
O forno de ar quente pesa aproximadamente 14 kg e foi desenvolvido pelo Centro de Pesquisa e Treinamento de Astronautas da China em parceria com empresas privadas. Diferentemente de um forno convencional, o equipamento foi projetado do zero para enfrentar os desafios da microgravidade.
Confira os principais recursos:
- Temperatura máxima de 190 °C, suficiente para caramelizar e dourar alimentos sem fumaça ou chamas.
- Catalisador de alta temperatura e sistema de filtragem em múltiplas camadas, que capturam partículas de gordura, fumaça e vapores antes que alcancem a atmosfera da cabine.
- Coifa de ventilação integrada para prevenir o acúmulo de odores no ambiente selado da estação.
- Coletor de migalhas e bandeja de malha para impedir que pedaços de comida flutuem na ausência de gravidade.
- Durabilidade para mais de 500 ciclos de uso contínuo, garantindo longevidade em missões de meses ou anos.
O professor Kang Guohua, membro sênior da Sociedade Chinesa de Astronáutica e professor de engenharia aeroespacial na Universidade de Aeronáutica e Astronáutica de Nanjing, destacou que o forno foi projetado desde o início com “plena consideração pela compatibilidade energética da estação espacial, distribuição uniforme de calor e segurança”.
Ele ressaltou que, ao contrário de tentativas anteriores na Estação Espacial Internacional (ISS), como a famosa tentativa de assar biscoitos em 2016, que resultou em produtos mal cozidos devido à convecção térmica fraca, o equipamento chinês foi otimizado para as condições reais da microgravidade.
A “cozinha espacial”
A air fryer é apenas a peça central de um pacote maior de modernização. A cozinha da Tiangong agora conta com mais equipamentos, como micro-ondas na parte inferior, para alimentos de base como arroz, e o forno de ar quente na parte superior, que utiliza “tecnologia de ar quente circulante em 360 graus”.
Além disso, a estação também conta com um filtro d’água para a hidratação dos taikonautas. Além disso, o plano nutricional dos taikonautas também passou por uma expansão significativa. O cardápio opera em ciclo de 10 dias e inclui cerca de 200 variedades de ingredientes, entre eles:
- Verduras frescas e legumes desidratados que são reidratados em órbita
- Oleaginosas (amendoins, nozes)
- Carnes: porco em molho de soja, frango kung pao, bife de pimenta-do-reino
- Pratos tradicionais como o Fotiaoqiang (“Buda Salta a Muralha”)
- Bolos, pães e iogurte que pode ser fermentado na própria estação
A variedade de vegetais já havia sido ampliada para 32 tipos a partir da missão Tianzhou-4, e agora o forno permite que esses ingredientes sejam preparados de forma mais próxima do que seriam na Terra.





