Cientistas especializados em neurociência ainda debatem quando a consciência surge nos seres humanos e como identificá-la nos primeiros meses de vida. Para investigar a questão, pesquisadores usam em adultos um método simples: reproduzem uma sequência de sons rotineiros, interrompida por um tom diferente.
O cérebro responde com uma oscilação elétrica característica a esse estímulo inesperado — um marcador confiável de que a pessoa percebeu a mudança. Pessoas em coma ou dormindo não apresentam essa reação típica.
O mistério da consciência nos recém-nascidos
Pesquisadores aplicam a mesma técnica a bebês para verificar se seus cérebros, ainda em desenvolvimento, conseguem processar esse estímulo. A questão central é saber se essa resposta involuntária indica consciência ou apenas uma atividade neuronal automática.
Segundo Topun Austin, neonatologista da Universidade de Cambridge, a consciência combina a receptividade ao mundo exterior com a integração desse mundo ao mundo interior, o que cria a sensação de identidade e localização.
Mas esse processo permanece obscuro: os cientistas ainda não sabem exatamente em que ponto do cérebro a consciência emerge da atividade dos neurônios nem como a comunicação entre eles cria a sensação de sermos nós mesmos.
Falta consenso científico sobre quando consciência surge
Os neurocientistas já desenvolveram várias teorias para explicar como a consciência funciona. Joel Frohlich, neurocientista cognitivo da Universidade de Tübingen, na Alemanha, diz que os pesquisadores não chegaram a um acordo sobre qual teoria está correta e que não há resposta definitiva.
A relevância dessa busca cresceu nos últimos anos conforme a ciência avança em áreas conexas. Pesquisadores conseguem implantar milhões de células cerebrais humanas funcionando em animais de laboratório, levantando questões sobre se seria possível conferir consciência a esses organismos.
O ponto onde todos concordam
Em meio à incerteza, os cientistas concordam em um ponto: em algum momento da vida de cada pessoa, o cérebro era rudimentar demais para sustentar a consciência. Depois, passou por uma transformação.
Determinar quando essa mudança ocorre nos bebês é um dos desafios mais persistentes da ciência moderna e pode ajudar a entender um dos maiores mistérios da mente humana.





