A cidade de Goiás, a 140 km de Goiânia, preserva um modo de vida que remete aos anos 1950.
Ruas de pedra e casas coloniais convivem com hábitos comunitários e um ritmo menos acelerado que o do resto do país.
Nesta terça-feira (14 de dezembro), o município completa 20 anos como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, título concedido pela Unesco.
Brasil tem cidade que ainda vive nos anos 50 e é Patrimônio Mundial da Unesco
Fundada há quase 300 anos, durante o Ciclo do Ouro, a cidade começou como Arraial de Santana, passou a se chamar Vila Boa e foi a primeira capital de Goiás, antes da transferência para Goiânia.
O centro histórico mantém o traçado original e a arquitetura dos séculos XVIII e XIX, com edifícios que testemunham épocas distintas da história brasileira.
Funcionários públicos que cuidam de reparos nas vias históricas ressaltam que qualquer intervenção exige atenção redobrada. Cada detalhe importa para preservar o conjunto arquitetônico do município.
Já os moradores mais antigos dizem que preservar a história não se resume à restauração de estruturas físicas.
Para eles, também significa manter o passado presente e garantir que as futuras gerações conheçam as raízes culturais do Brasil.
O reconhecimento da Unesco reforçou esse compromisso ao elevar a cidade à condição de patrimônio da humanidade e ampliar a responsabilidade pela sua preservação.
Cora Coralina e a identidade cultural
A história do município não se desvincula de Cora Coralina, poetisa nascida ali que se tornou uma das maiores referências da literatura brasileira.
A autora viveu 95 anos, cerca de 30 deles na casa que hoje funciona como museu dedicado à sua obra e ao seu legado.
Administrado pela professora aposentada Marlene Vellasco, que conviveu com a poetisa, o espaço mantém a trajetória de Cora Coralina acessível ao público.
A importância cultural vai além dos livros. A Casa de Cora Coralina é um dos locais mais procurados pelos visitantes e ajuda a compreender a relação entre a autora e seu lugar de origem.
Outros marcos da identidade local, como a Procissão do Fogaréu realizada na Semana Santa, reforçam a continuidade de tradições que moldaram a comunidade ao longo dos séculos.
A preservação cultural não se limita à arquitetura nem à literatura.
A ausência de estímulos digitais intensos ajuda a manter um tipo de convivência comunitária raro nas cidades brasileiras atuais.
Esse ambiente favorece relações mais diretas e um ritmo diferente do urbano acelerado.
A combinação entre patrimônio material, como casas, ruas e edifícios históricos, e imaterial, como culinária e festas, além do modo de viver, explica por que Goiás Velha continua sendo referência de preservação, enquanto outras regiões se transformam com a expansão tecnológica e urbanística.





