Qualquer brasileiro maior de 18 anos pode se inscrever para tentar quebrar a segurança da urna eletrônica, com passagem e diária pagas pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), inclusive para quem mora no exterior. A iniciativa, batizada Teste Público de Segurança dos Sistemas Eleitorais (TPS), acontece no ano anterior a cada eleição.
A urna eletrônica brasileira completa 30 anos de existência e, um dos principais fatores de segurança do equipamento está no próprio hardware: a urna não tem placa de rede, o que torna zero a conectividade via internet, Wi-Fi ou Bluetooth.
Sem nenhum tipo de conexão externa, é fisicamente impossível invadir o sistema remotamente, já que ele opera de forma isolada.
Os votos digitados ficam protegidos por criptografia registrada em mídias físicas específicas do TSE. Antes da votação, o mesário imprime a chamada zerésima, documento que comprova que a urna está zerada; ao fim do dia, a máquina imprime o boletim de urna, extrato que qualquer eleitor pode conferir na porta da seção e comparar com os números divulgados pelo TSE.

Investigadores aprovados testam sistema real em Brasília
Para participar do TPS, é preciso submeter um plano de ataque com estratégia detalhada de como pretende tentar comprometer o sistema; se o plano for aprovado pela Comissão Reguladora do Teste, o interessado viaja a Brasília para tentar a invasão na urna de verdade, dentro da própria sede do TSE.
A primeira edição do teste ocorreu em 2009: na ocasião, 37 investigadores tentaram, durante quatro dias, burlar as barreiras de segurança do sistema eletrônico de votação, sem êxito algum.
Na edição mais recente, realizada entre 1º e 5 de dezembro de 2025, especialistas avaliaram componentes como o Software de Votação, o Sistema de Apuração e o próprio código-fonte das urnas modelo UE2022, e não encontraram, segundo o TSE, nenhuma inconsistência relevante que comprometesse a segurança do processo eleitoral.
Achados aprovados pela comissão avaliadora ainda passam por uma etapa chamada Teste de Confirmação, quando os próprios investigadores voltam ao TSE para reproduzir as falhas identificadas numa versão já ajustada do sistema, o que resulta em melhorias incorporadas antes da eleição seguinte.
Segundo o TSE, no galpão onde as urnas ficam armazenadas, existe ainda uma seção dedicada a rodar continuamente possíveis cenários de falha, num esforço permanente para identificar problemas que possam atrapalhar a experiência do eleitor ou o próprio processo democrático.





