A vegetação de uma ilha caribenha voltou a crescer depois que cabras introduzidas pelo homem foram removidas de trechos da ilha.
O bosque seco de Bonaire, ilha neerlandesa de clima árido e extremo, sofria havia décadas com o excesso de animais que pastavam sobre brotos, cactos e mudas.
Pesquisadores monitoraram a resposta da flora por 15 anos e constataram que, sem os herbívoros, novas plantas começaram a surgir.
Ainda assim, o levantamento mostrou que restaurar um ecossistema inteiro exige muito mais tempo do que apenas afastar os animais que o degradavam.
Cabras foram retiradas de uma ilha para salvar a vegetação que voltou a crescer anos depois
Entre 2007 e 2008, cientistas montaram 14 pares de parcelas de cerca de 9 metros por 9 metros espalhadas pela ilha.
Em cada par, uma área foi cercada para impedir a entrada das cabras, enquanto a vizinha continuou exposta ao pastoreio normal, para comparação.
As equipes voltaram ao local depois de oito e de 15 anos para medir o que havia mudado.
Nas áreas protegidas, o número de plântulas cresceu de forma visível, mas árvores de maior porte só começaram a aparecer depois do prazo mais longo de observação.
Bonaire abriga 60 tipos de árvores nativas em seus bosques secos, mas o sobrepastoreio ameaçava essa diversidade.
Nas áreas isoladas por cerca, apenas 22 dessas espécies conseguiram se estabelecer sozinhas ao longo dos 15 anos de estudo.
Um levantamento paralelo, feito quatro anos depois do início da retirada das cabras em uma área maior, identificou 16 espécies em fase de regeneração natural.
Os números mostram que retirar os animais permite o início do processo, mas está longe de garantir o retorno de toda a diversidade original.
Por que faltam sementes e dispersores, e o que a experiencia de Bonaire ensina sobre restauração?
A lentidão da recuperação tem explicação na própria biologia das plantas.
A falta de sementes e de animais que naturalmente as espalhem pela paisagem trava a chegada de espécies novas às áreas em regeneração, mesmo sem cabras para atrapalhar.
A remoção de grandes herbívoros também interfere nas relações entre plantas e seus inimigos naturais, o que pode afetar a biodiversidade do ambiente a longo prazo.
Por isso, cercar o terreno costuma ser apenas o primeiro passo de um processo de restauração bem mais longo.
A experiência de Bonaire mostra que retirar os animais que causam o desequilíbrio é necessário, mas raramente basta.
Restaurar a variedade original de espécies de um bosque pode levar décadas e exigir ações extras, como o plantio de árvores raras que têm pouca capacidade de voltar sozinhas.
O experimento também mostra que a cobertura vegetal e a diversidade biológica seguem ritmos de recuperação diferentes.





