O envelhecimento do cérebro exige preparação tanto quanto o do corpo, mas muita gente não se prepara para essa fase. À medida que a população brasileira envelhece, cresce a necessidade de entender como preservar a saúde cognitiva e psíquica nos anos seguintes.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística estimou, em 2024, uma população de 36 milhões de brasileiros acima dos 60 anos, com um acréscimo anual de 1,1 milhão de novos integrantes desse grupo.
O Ministério da Saúde considera esse processo de envelhecimento da população algo que não tem volta. Diante disso, o desafio passa a ser garantir qualidade de vida ao longo dos anos adicionais, e não apenas estender sua duração.
Reinvenção e propósito como pilares da longevidade
Sharon Sanz Simon, neuropsicóloga, e Ilana Pinsky, psicóloga, assinam uma obra dedicada a repensar o que significa envelhecer com qualidade, lançada pela Fósforo Editora e centrada nas contribuições da neurociência e da psicologia para essa fase da vida.
A publicação aborda a importância de combater a solidão, encontrar razões para se mover e ter acesso integral à saúde na velhice.
Um dos equívocos sobre o envelhecimento é acreditar que, após certa idade, não há espaço para reinvenção. Em entrevista ao programa Veja e Cuide-se, Pinsky disse que é sempre possível repensar projetos de vida e escolhas: a idade não impede alguém de começar algo novo.
Exercício, nutrição e políticas públicas no envelhecimento
Exercício regular e nutrição adequada são importantes em qualquer idade, contrariando a crença de que idosos devem reduzir as atividades físicas.
O cérebro responde positivamente à prática consistente de movimento, que pode aumentar os níveis de uma proteína que fortalece a comunicação entre as células cerebrais. A ingestão de alimentos nutritivos, particularmente seguindo padrões como a dieta mediterrânea, mantém a plasticidade neural — capacidade do órgão de formar novas conexões e se adaptar.
Essa dieta reduz o risco de demência, perda de memória, diabetes, colesterol alto, depressão e câncer de mama. Por outro lado, sono insuficiente, tabagismo, abuso de álcool, sedentarismo e alimentação inadequada são fatores externos que afetam a cognição durante o envelhecimento.





