Casas, ruas e outras construções vêm desaparecendo há décadas na faixa costeira de Atafona, distrito de São João da Barra, no Norte Fluminense. A erosão avança em alguns pontos entre três e cinco metros por ano e já alterou parte da área ocupada próxima à foz do rio Paraíba do Sul.
O fenômeno começou a ser registrado na região há cerca de 60 anos. Pesquisadores associam o processo a uma combinação de fatores naturais e mudanças provocadas pela ação humana, principalmente alterações no fluxo e no transporte de sedimentos do rio Paraíba do Sul.
Atafona não é uma cidade independente, mas um distrito do município de São João da Barra. A área se desenvolveu ao longo do século XX como balneário e passou a perder construções à medida que a linha da costa recuou.

Centenas de construções foram perdidas
Os números variam conforme a metodologia e o período analisado. Estudos acadêmicos mais antigos contabilizaram 183 construções em 14 quadras, enquanto levantamentos posteriores da prefeitura e reportagens baseadas em dados locais estimam que mais de 500 imóveis já tenham sido atingidos ou destruídos ao longo das décadas.
Entre as estruturas que desapareceram estão residências e estabelecimentos comerciais. O avanço também atingiu referências locais, como um antigo farol, ruas e outras construções próximas ao litoral.
Um artigo publicado em 2026 na revista da Universidade Federal Fluminense descreve como o processo deixou trechos da praia marcados por paredes, lajes e estruturas de imóveis abandonados ou destruídos. O estudo também analisa o impacto sobre moradores que tiveram de deixar propriedades localizadas na área atingida.
Município contratou novo estudo
Em julho, a Prefeitura de São João da Barra autorizou o início de um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental para analisar alternativas de intervenção em Atafona e na região do Açu. O contrato tem duração prevista de 18 meses e valor de aproximadamente R$ 5,6 milhões.
Entre as possibilidades que deverão ser avaliadas estão medidas relacionadas à recomposição da faixa de areia e à dinâmica da foz do rio, mas nenhuma solução definitiva foi escolhida até agora.
O estudo é necessário para embasar projetos futuros e pedidos de recursos aos governos estadual e federal. Enquanto o levantamento é realizado, a erosão continua sendo monitorada, principalmente durante períodos de ressaca e aumento da força das ondas.





