Maricá, a pouco mais de 60 km do Rio de Janeiro, subiu da 354ª posição, em 2002, para o quarto lugar entre as cidades mais ricas do Brasil. O município superou capitais como Belo Horizonte, Manaus e Curitiba.
A transformação econômica começou com a exploração do pré-sal na Bacia de Santos, que elevou os recursos do município e mudou seu lugar na economia nacional. O PIB de Maricá atingiu R$ 134,1 bilhões em 2023, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília ficaram à frente de Maricá. Foi a primeira vez que uma cidade que não era capital ocupou essa colocação. Maior receptora de royalties do petróleo entre os municípios brasileiros, a cidade recebe anualmente mais de R$ 2,7 bilhões dessa fonte.
O PIB por habitante chegou a R$ 679 mil, um dos mais elevados do país.
A estratégia da cidade para quando o petróleo acabar
Como o ciclo do petróleo é finito, a prefeitura criou, em 2018, o primeiro fundo soberano municipal do Brasil. Cerca de 15% de toda a receita de royalties é depositada em fundos públicos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. A medida cria uma reserva para quando os depósitos diminuírem.
O Fundo Soberano de Maricá encerrou 2024 com R$ 2,6 bilhões em caixa, quantia que nenhum outro município brasileiro se aproximou.
O modelo ganhou reconhecimento nacional e recebeu visitas oficiais de comitivas do Amapá, estado que emergiu como nova fronteira do petróleo na Margem Equatorial. A estratégia de planejamento de longo prazo busca garantir sustentabilidade financeira mesmo após o esgotamento dos recursos naturais.
Antes de se tornar potência econômica, Maricá já experimentava iniciativas próprias. A Mumbuca, moeda digital lançada em 2013, equivale a R$ 1 e circula apenas no comércio local, e foi a primeira moeda social inteiramente digital do Brasil. Com a expansão dos royalties, a prefeitura ampliou os benefícios e mantém programas que se tornaram marcas registradas da cidade.
A Renda Básica de Cidadania repassa 200 mumbucas mensais a mais de 42 mil moradores cadastrados. A Tarifa Zero oferece transporte público gratuito desde 2014, tornando Maricá a primeira cidade brasileira com mais de 100 mil habitantes a adotar o sistema.
O Passaporte Universitário garante bolsa integral para residentes que cursam ensino superior, inteiramente custeado pelo município.
Bicicletas compartilhadas, conhecidas como “vermelhinhas”, circulam gratuitamente pela cidade. Esses programas ganharam atenção internacional: o jornal espanhol El País dedicou sete páginas a Maricá como caso de sucesso em 2023.
Crescimento demográfico e atrativos naturais
A população de Maricá passou de 127 mil habitantes em 2010 para 212 mil em 2025, conforme o IBGE, o maior crescimento populacional do estado do Rio de Janeiro nesse período. O município oferece 46 km de praias e seis lagoas, de acordo com a Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro.
A Praia de Itaipuaçu, com 15 km de areia clara e águas esverdeadas, é a maior extensão contínua de praia do estado, atraindo surfistas com suas ondas. A Pedra do Elefante, ponto mais elevado do Parque Estadual da Serra da Tiririca com 412 metros de altitude, oferece vista que alcança até Cabo Frio.
A Restinga de Maricá forma um corredor de dunas e vegetação rasteira entre o mar e as lagoas, onde se localiza a vila de pescadores do bairro de Zacarias. Esse conjunto de atrativos posiciona a cidade como destino turístico em expansão, alimentado pela infraestrutura financiada pelos royalties do petróleo.





