Pesquisadores identificaram, no território do atual Irã, um sistema vulcânico que permaneceu oculto por 100 milhões de anos. A descoberta revela um capítulo da história geológica do planeta e oferece novos indícios sobre as forças tectônicas que moldaram oceanos antigos e continentes, especialmente no Oriente Médio.
Uma equipe internacional liderada pela Istanbul Technical University localizou remanescentes de um antigo arco magmático continental que havia passado despercebido até então. Batizado de Arco Magmático Continental do Azerbaijão, o sistema se formou durante o período Cretáceo Tardio, em uma região que hoje faz parte da zona de colisão entre Arábia e Eurásia.
Como os pesquisadores encontraram o sistema vulcânico perdido

As montanhas preservam registros valiosos do passado distante do planeta, guardando sinais de oceanos desaparecidos, continentes em deslocamento e processos geológicos que transformaram o mundo ao longo de milhões de anos.
No entanto, essas evidências frequentemente ficam encobertas por deformações tectônicas posteriores, erosão e sedimentos soterrados, tornando difícil interpretar os registros mais antigos.
Para reconstruir esse capítulo esquecido, a equipe examinou rochas vulcânicas e plutônicas de múltiplas localidades no noroeste do Irã, concentrando-se em formações ao longo da Falha Siah Cheshmeh-Khoy-Misho-Tabriz.
Os pesquisadores empregaram técnicas avançadas para determinar quando as rochas se formaram e de onde vieram seus materiais originais: geocronologia de zircão U-Pb, análises de isótopos de háfnio para investigar suas fontes e geoquímica de rocha inteira para examinar a composição química.
O que os dados revelaram sobre a geologia antiga
Os resultados indicaram que o sistema vulcânico permaneceu ativo entre 101 e 97 milhões de anos atrás, durante transformações geológicas significativas no antigo Oceano Neo-Tétis.
Ao longo do tempo, deformações tectônicas, erosão, soterramento sob bacias sedimentares e um período posterior de atividade vulcânica no Eoceno encobriram grande parte das evidências de sua existência.
As assinaturas das rochas confirmaram um padrão de magmatismo de arco continental. Processo geológico que ocorre quando uma placa tectônica mergulha sob outra e gera magma capaz de ascender pela crosta continental sobrejacente.
Dr. Ali Mohammadi, autor correspondente do estudo pela Istanbul Technical University, explicou que a pesquisa demonstra que a história magmática do noroeste do Irã é mais complexa do que se reconhecia anteriormente. Essa conclusão surgiu da integração de evidências geocronológicas, isotópicas e geoquímicas.
Implicações para entender a geologia regional
Divulgada na revista Geoscience Frontiers, a pesquisa contou com a participação de cientistas do Institute of Tibetan Plateau Research e do Xinjiang Institute of Ecology and Geography, ambos da Chinese Academy of Sciences. Também participaram pesquisadores da ETH Zurich, na Suíça, da Karadeniz Technical University, na Turquia, e da Damghan University, no Irã.
Essa descoberta preenche uma lacuna importante na compreensão da história geológica da região, oferecendo novas perspectivas sobre como as forças tectônicas ancestrais remodelaram o Oriente Médio e ajudando pesquisadores a refinar reconstruções anteriores do passado geológico do Irã.
Quando um arco vulcânico antigo desaparece sem deixar rastro óbvio
Um sistema vulcânico pode ter sido muito ativo e depois ficar completamente invisível. Isso acontece porque a tectônica deforma as rochas, a erosão remove as camadas superiores e novos sedimentos soterram o conjunto.
Se depois houver outra fase de vulcanismo ou movimentação tectônica, as evidências da época anterior ficam ainda mais confusas e distorcidas. Por isso, o Arco Magmático do Azerbaijão passou despercebido por tanto tempo: não desapareceu da natureza, apenas ficou escondido pelas camadas geológicas posteriores.





