Para Luciano Huck, a telinha funciona muito diferente do que parece aos olhos do público. O apresentador afirma que “Televisão é tudo de mentira. Se o programa não estiver bom, finja que está. Pule, grite, assim você vai aparecer na telinha e ficar famoso”.
Aos 55 anos, Huck carrega consigo uma experiência que sustenta essa visão desencantada sobre os bastidores da televisão brasileira. A provocação reflete bem quem construiu uma carreira justamente na base da energia e da encenação diante das câmeras.
Os primeiros passos antes da fama
Nascido em São Paulo em 1971, Huck é filho do jurista Hermes Marcelo Huck e da urbanista Marta Dora Grostein, e cresceu num lar de classe média alta na capital paulista. Sua trajetória até chegar aos estúdios passou por caminhos pouco convencionais, moldando sua visão crítica sobre o meio.
Antes de se tornar um nome conhecido da TV, o paulistano passou por um estágio na revista Playboy e também auxiliou como assistente do fotógrafo Duran. Em 1989, chegou a cursar Direito na Universidade de São Paulo, mas logo percebeu que sua vocação estava mais ligada à comunicação do que ao universo jurídico.
Já aos 20 anos, ao estagiar na agência W/Brasil, comandada pelo publicitário Washington Olivetto, começou a despertar de forma mais concreta seu gosto pela publicidade e pelo entretenimento.
O bar Cabral, aberto pouco depois no bairro Itaim Bibi com amigos, tornou-se rapidamente um ponto concorrido da cidade. Dois anos depois já assinava a coluna “Circulando” no Jornal da Tarde e apresentava um programa na rádio Jovem Pan. Essas vivências mostravam que Huck já sabia atrair público bem antes de pisar num estúdio de TV.
Da coluna impressa à primeira vez na TV

Foto: Globo
O convite de Otávio Mesquita, na Band, abriu as portas da televisão. Huck começou comentando as badalações das festas noturnas no quadro “Paparazzo Eletrônico“, um espaço que consolidaria seu nome entre os produtores.
Em seguida lançou seu próprio programa “Circulando”, primeiro exibido na CNT Gazeta e depois também na Band. Em 1996, passou a apresentar o programa diário “H”, voltado ao público jovem, que ganhou força com as personagens Tiazinha e Feiticeira, vividas por Suzana Alves e Joana Prado.
A consolidação na Rede Globo
Em setembro de 1999, sua carreira deu um salto decisivo ao ser contratado pela Rede Globo, estreando na emissora com a apresentação do “Show da Virada“, realizado no Parque do Anhembi, em São Paulo.
Em abril de 2000, as tardes de sábado ganharam o “Caldeirão do Huck“, programa que reunia atrações musicais, brincadeiras e quadros populares como Vou de Táxi, Agora ou Nunca e Soletrando.
Aos poucos, conquistou o público e se tornou líder de audiência, recebendo artistas de peso como Ricky Martin, Demi Lovato e Roberto Carlos ao longo dos anos.
Além da apresentação, em 2003 fundou o Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias, iniciativa voltada à capacitação profissional de jovens de comunidades carentes. A trajetória que começou numa revista e num bar do Itaim Bibi moldou um dos rostos mais reconhecidos da televisão brasileira.




