Enquanto o debate sobre o fim da escala 6×1 avança no Brasil e mobiliza trabalhadores, empresas e parlamentares, uma das companhias mais antigas em atividade no país já adotou um modelo de jornada reduzida em parte de suas operações.
Fundada em 1834, durante o Império, a mineradora AngloGold Ashanti afirma utilizar escalas de 4×3 e 4×4 em diferentes setores como parte de uma estratégia voltada à produtividade e à segurança.
Tecnologia e novas jornadas mudam rotina na mineração
Considerada a empresa industrial em operação contínua mais antiga do Brasil, a mineradora mantém atividades em Minas Gerais, onde explora ouro em minas subterrâneas que chegam a cerca de 1.600 metros de profundidade. Ao longo de quase dois séculos, a companhia atravessou diferentes períodos da história brasileira e incorporou tecnologias para modernizar a operação.
Além da redução da jornada em parte dos escritórios, onde funcionários trabalham de segunda a quinta-feira, equipes das minas passaram a atuar em um sistema de quatro dias de trabalho seguidos por quatro dias de descanso.
A mudança faz parte de um processo de modernização que inclui automação, equipamentos operados remotamente e monitoramento em tempo real dos trabalhadores. Segundo a empresa, a adoção de novas tecnologias busca reduzir a exposição dos funcionários às áreas de maior risco e aumentar a eficiência operacional.
As minas contam com cobertura de rede sem fio no subsolo, permitindo acompanhar a localização das equipes durante toda a jornada. Parte dos equipamentos pesados também é controlada remotamente da superfície, diminuindo a necessidade de presença humana em locais de maior perigo.
A experiência da AngloGold Ashanti ocorre em um momento em que modelos alternativos de jornada ganham espaço nas discussões sobre relações de trabalho no Brasil.





