Receber um imóvel ou uma conta de investimentos de herança não significa ter acesso imediato a esse dinheiro.
Pelo princípio da saisine, previsto no Código Civil, os bens do falecido já pertencem aos herdeiros desde o instante da morte.
Na prática, porém, essa titularidade não destrava a venda de imóveis nem a movimentação de investimentos, liberadas apenas quando o inventário é finalizado.
É aí que muitas famílias travam: colocar a sucessão em dia consome de 10% a 15% de tudo o que foi herdado, somando impostos, honorários de advogado e taxas de cartório.
Quando esse valor não está disponível logo depois da morte, o inventário não avança e os bens permanecem formalmente no nome de quem faleceu.
Como pagar o inventário quando não há dinheiro em caixa e ainda regularizar todos os bens
Formalizar a transmissão dos bens é obrigatório sempre que existir patrimônio, direito ou dívida a apurar, independentemente do valor envolvido.
Mesmo uma herança modesta passa pelo mesmo trâmite, e a exigência não se limita a casos de grandes fortunas ou múltiplos herdeiros.
Quando o processo fica parado, a falta de regularização gera entraves fiscais e dificulta a organização do patrimônio deixado.
Famílias que herdam bens mas não têm caixa disponível costumam recorrer ao seguro de vida como alternativa mais rápida para levantar recursos.
Ao contrário de um imóvel ou de um carro, cuja liberação pode levar anos, a indenização da apólice chega aos beneficiários em prazo curto, sem depender de processo judicial ou de apuração formal de quem tem direito à herança.
O valor pago pode cobrir justamente o que trava a regularização: custos funerários, contas do dia a dia e os próprios tributos do inventário.
A vantagem prática é eliminar a exigência de ter dinheiro em mãos logo no início do processo, quando as despesas costumam pesar mais.
E quando a herança não tem bens para custear nada?
Existe uma situação em que não há bens a partilhar: quando a pessoa falecida deixa apenas dívidas ou nenhum patrimônio.
Nesses casos, o caminho é o inventário negativo, documento administrativo assinado por todos os herdeiros que formaliza a inexistência de bens a partilhar.
Um imóvel deixado sem regularização também corre risco: se um terceiro ocupar o bem por longo período sem que os herdeiros se manifestem, pode adquirir a propriedade por usucapião.
Por isso, deixar a herança parada nunca é opção segura, mesmo quando falta dinheiro para tocar o processo.
Não iniciar o inventário em até 60 dias após a morte gera custos adicionais. A legislação estabelece esse prazo, e o descumprimento atrai punições financeiras.
Em São Paulo, quem atrasa entre 60 e 180 dias paga uma multa adicional de 10% sobre o ITCMD, imposto cuja alíquota é de 4%; ultrapassado esse período, o acréscimo dobra para 20%.
Na prática, uma herança de R$ 1 milhão, que geraria R$ 40 mil de imposto, pode chegar a R$ 48 mil só por causa do atraso.
Buscar uma fonte rápida de recursos, como o seguro de vida, e iniciar o inventário dentro do prazo evita o aumento da conta da herança.





