Pacientes que trocaram canetas injetáveis pelo comprimido de semaglutida perderam, em média, 4,1% da massa corporal em três meses, mais do que o esperado.
Os dados foram apresentados nesta semana no Congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Milão.
A pesquisa reforça a aposta da Novo Nordisk na tentativa de manter sua posição no mercado de medicamentos orais contra a obesidade.
A análise acompanhou pessoas que usavam injeções, incluindo o Wegovy e o Zepbound, da concorrente Eli Lilly, e passaram a tomar o comprimido diário.
Comprimido do Wegovy apresenta resultado diferente das canetas em estudo sobre perda de peso
Com peso inicial de 100,5 kg, os pacientes perderam, em média, 4,0 kg nos primeiros três meses.
Nesse período, o percentual de pessoas classificadas clinicamente como obesas recuou de 87,1% para 65,5%.
Quase 41% delas eliminaram pelo menos 5% do peso corporal apenas com a mudança de formato.
Martin Holst Lange, diretor científico da Novo Nordisk, informou que esses números dissipam dúvidas sobre a adesão ao comprimido.
Segundo Lange, muitos pacientes alcançam resultados até melhores com a pílula do que obtinham com os injetáveis. Ele considera esse resultado um sinal convincente em favor da nova formulação.
A coleta de dados contou com parceria da empresa norte-americana de telessaúde Ro, o que aproxima os números da rotina real dos pacientes.
Porém, parte das informações depende de relatos dos próprios usuários, sem o rigor de causa e efeito que um ensaio clínico randomizado oferece.
A farmacêutica dinamarquesa busca reconquistar espaço frente à Eli Lilly, que ultrapassou a Novo Nordisk como líder no setor de medicamentos para obesidade.
As ações da Novo Nordisk caíram mais de 70% em relação ao pico atingido em 2021, quando se tornou a empresa de capital aberto mais valiosa da Europa após o lançamento do Wegovy injetável.
O comprimido trouxe algum alívio a essa trajetória, e as terapias orais agora representam cerca de um terço de todas as prescrições contra obesidade nos Estados Unidos após o lançamento da pílula, e a Novo responde por mais de 80% dessas novas receitas em formato de comprimido.
O presidente-executivo da Novo, Mike Doustdar, afirmou à Reuters que os comprimidos para perda de peso podem conquistar até metade do mercado global de medicamentos para obesidade, estimado em até US$ 100 bilhões anuais ou mais até o final da década.
Contexto competitivo: o avanço da concorrência
A Eli Lilly lançou o Foundayo, um novo comprimido com princípio ativo diferente, a orforgliprona, que já foi aprovado pela FDA.
Diferentemente do Foundayo, o Wegovy oral exige que o paciente o tome em jejum, logo ao acordar, com no máximo 118 ml de água, e espere 30 minutos antes de comer ou beber.
O Foundayo pode ser ingerido a qualquer hora do dia, oferecendo maior flexibilidade ao paciente.
Pacientes que trocaram as canetas injetáveis de Wegovy ou Mounjaro pela orforgliprona mantiveram a perda de peso ao longo de 52 semanas e recuperaram no máximo cerca de 6 kg durante esse período.
O resultado demonstra a efetividade do tratamento concorrente em longo prazo.
O comprimido já está disponível nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Emirados Árabes Unidos.
A Novo Nordisk prevê chegar a outros mercados nos próximos trimestres, à medida que tenta recuperar terreno perdido na disputa pelo segmento de obesidade contra a concorrência norte-americana.





