A Capela Santo Amaro, no bairro da Barra em Balneário Camboriú, é a única construção de arquitetura colonial preservada no município e existe desde antes de a cidade oficialmente existir. Balneário Camboriú só foi criado como município em 1964; a capela, também conhecida como Igrejinha da Barra, já fazia parte da paisagem regional havia mais de um século.

Uma construção anterior à cidade
Erguida no início do século 19, a capela é tombada como patrimônio histórico municipal e estadual e permanece no alto de uma escadaria em frente à Praça do Pescador, de onde é possível avistar a Barra Sul, a Passarela da Barra e o Rio Camboriú.
O primeiro documento que confirma oficialmente sua existência é a Lei Provincial de 28 de março de 1840, que autorizou a construção. Em 1849, quando o Arraial de Camboriú se tornou freguesia, a igreja passou a funcionar como Matriz do Bom Sucesso, seu nome original completo: Igreja Matriz Nossa Senhora do Bom Sucesso.
Os primeiros livros de batizados da paróquia começam em 1861, e os registros de casamentos e óbitos datam de 1863, o que ajuda a dimensionar quanto tempo a capela já cumpre função religiosa na região.
Segundo a Fundação Cultural de Balneário Camboriú, a igreja seguiu, em linhas gerais, o modelo das antigas igrejas jesuítas que influenciaram a arquitetura luso-brasileira. Tem nave única, com capela-mor e coro, e preserva imagens religiosas antigas. Entre os objetos mais conhecidos está um sino rachado, hoje protegido por uma redoma de vidro.
A construção que resistiu ao tempo
A obra é cercada de mistérios, relatos transmitidos entre gerações afirmam que a igreja teria sido erguida com pedra bruta, conchas, areia e uma argamassa à base de óleo de baleia, informação que até hoje não foi comprovada documentalmente. O que se sabe com certeza é que a construção contou com mão de obra escrava.
A capela passou por processos de restauração em 2008 e 2014, quando cores originais foram recuperadas e intervenções de conservação foram realizadas. Hoje, ela divide o cenário com uma cidade que se tornou conhecida pelos arranha-céus e por um estilo de vida associado ao luxo, um contraste direto com o período em que a região era formada por comunidades pesqueiras e povoados costeiros que deram origem ao município.





