Um data center orçado em US$ 1 bilhão está sendo planejado a poucas centenas de metros do Osawatomie State Hospital, hospital psiquiátrico mantido com dinheiro público no Kansas, EUA.
Batizado de Project Catalyst, o projeto teve a área prevista ampliada de 115 acres para 283 acres.
Profissionais que passaram anos cuidando de pacientes psiquiátricos na instituição hoje questionam os riscos da obra para quem está internado nas proximidades.
Quem trabalhou com atividades terapêuticas no hospital teme que o barulho da construção, somado ao funcionamento contínuo dos equipamentos, atrapalhe tratamentos em andamento.
Delírios e psicose podem piorar com ruído do data center
Segundo profissionais, boa parte dos internados já teve episódios de delírio relacionados a máquinas, o que torna o entorno do canteiro de obras particularmente sensível.
Luzes fortes, vibrações profundas e o som constante de ventiladores e maquinário pesado podem se misturar aos sintomas de pacientes com psicose, piorando o quadro clínico.
O sono também está entre as preocupações levantadas pelos trabalhadores do local.
Pacientes em tratamento psiquiátrico precisam de noites regulares de descanso, e ruído ou vibração constantes podem comprometer o sono e a recuperação.
Quase todos os internados no Osawatomie State Hospital estão sob determinação judicial e não podem escolher se permanecem ali.
Para os profissionais de saúde, a internação determinada pela Justiça aumenta a responsabilidade do estado de garantir segurança e bem-estar a esse grupo.
Eles afirmam que pacientes involuntariamente internados mantêm direitos civis que precisam ser respeitados, independentemente da decisão judicial que os levou até lá.
Os trabalhadores querem chamar atenção para que essas garantias não sejam ignoradas em nome do novo empreendimento.
Ausência de resposta oficial ao pedido
Nos últimos nove meses, pedidos de posicionamento sobre o projeto foram enviados repetidas vezes ao Kansas Department for Aging and Disability Services (KDADS), sem retorno até agora.
Um contato também foi feito com a Alcove Development, responsável pelo empreendimento, questionando como a empresa está articulando o projeto junto ao estado.
O city manager de Osawatomie, Bret Glendening, foi questionado diretamente pela imprensa local sobre os planos da prefeitura para avaliar os impactos na segurança dos pacientes, no atendimento de emergência, no ruído e na compatibilidade do data center com um campus de tratamento psiquiátrico.
Ele confirmou que já houve conversas preliminares entre a cidade e o estado, mas que uma apresentação com sessão de perguntas para funcionários do hospital ainda precisa ser remarcada.
Enquanto o cronograma da obra segue sem data definida, a expectativa é que o diálogo entre a construtora, a prefeitura e os órgãos estaduais avance antes do início dos trabalhos no terreno vizinho ao hospital.





