David Gross, ganhador do Prêmio Nobel de Física em 2004, afirmou que as chances de a humanidade sobreviver mais 50 anos são muito baixas.
A declaração foi dada em entrevista ao site especializado Live Science, quando o entrevistador perguntou se, dentro de cinco décadas, os físicos poderiam ter uma “teoria unificada” capaz de explicar todas as forças fundamentais do universo. A resposta de Gross tomou outro rumo.
O que fundamenta a estimativa
“Atualmente, dedico parte do meu tempo a tentar explicar às pessoas… que as probabilidades de viverem mais 50 anos são muito baixas”, disse o físico, que classificou a estimativa como aproximada.
Segundo ele, o risco anual de uma guerra nuclear grave gira em torno de 2%, o que reduziria a expectativa de tempo restante da civilização a cerca de 35 anos, caso o padrão se mantenha.
Um dos fatores que mais preocupa Gross é o enfraquecimento dos mecanismos de controle nuclear construídos após a Guerra Fria. O Tratado New START, último grande acordo entre Estados Unidos e Rússia para limitar armas estratégicas nucleares, expirou em 5 de fevereiro de 2026 sem substituto equivalente.
Segundo o Instituto Internacional de Estocolmo para a Pesquisa da Paz (SIPRI), o mundo tinha, no início de 2025, nove países com arsenais nucleares ativos, somando 12.241 ogivas, um cenário mais complexo do que a lógica bipolar da Guerra Fria e mais suscetível a erros de cálculo.
“Há medidas fáceis de tomar, ao menos para as nações. Por exemplo, conversar entre si”, disse Gross, questionado sobre como reduzir esse risco. Mas destacou que, nos últimos dez anos, os tratados deixaram de existir.
“Estamos entrando numa corrida armamentista incrível. Temos três superpotências nucleares e se fala do uso de armas nucleares.” Citou como exemplos a guerra em curso no centro da Europa, os bombardeios contra o Irã e a quase guerra entre Índia e Paquistão.

Papel da IA
Gross apontou a combinação entre risco nuclear e inteligência artificial como um perigo adicional que não existia na mesma escala durante a Guerra Fria, já que sistemas de defesa cada vez mais automatizados podem acelerar decisões em cenários de crise.
Nascido nos Estados Unidos em 1941, Gross construiu boa parte da carreira acadêmica em instituições como Princeton e Harvard, e recebeu o Nobel de Física em 2004, ao lado de Frank Wilczek e H. David Politzer, pela descoberta da liberdade assintótica, fenômeno relacionado ao comportamento dos quarks.
Em julho de 2026, atuou como coorganizador da Assembleia Nobel do Vaticano, que reuniu mais de 200 figuras de destaque mundial na assinatura da “Declaração de Roma por uma Paz Desarmada e Desarmante na Era da Inteligência Artificial”.





