Uma demissão em massa em 2025 tirou May Lee do cargo que ocupava havia três décadas em uma multinacional de tecnologia, onde chegou a gerente de marketing e comunicação. Aos 59 anos e com diploma em ciência da computação, ela poderia ter buscado outra vaga na mesma função.
Em vez disso, a americana nascida no Tennessee e filha de pai taiwanês aceitou trabalhar temporariamente na Estação McMurdo, maior base científica da Antártida. O contrato dura cinco meses por ano, e ela voltará em 2027, desta vez em outra função dentro da estação.
Da gerência de marketing à empilhadeira
Em McMurdo, Lee passou a trabalhar como técnica de suprimentos de tecnologia e comunicação, uma função diferente da que exercia no Vale do Silício. A rotina incluía organizar o estoque, controlar o que chegava por avião e operar uma empilhadeira, tarefa inédita para quem vinha de anos de escritório.
O dia começava às 6h30, e o expediente, de segunda a sábado, começava uma hora depois. Os deslocamentos eram feitos a pé sobre a neve densa, já que os carros ficavam reservados para carga e exploração.
A Estação McMurdo opera como ponto de apoio logístico e científico para os Estados Unidos, com uma equipe maior no verão e reduzida no inverno. A razão está na própria geografia: as temperaturas chegam a 8 °C nos períodos mais amenos e caem a 50 °C negativos por seis meses seguidos.
Os moradores ainda enfrentam quatro meses de escuridão contínua e outros quatro em que o Sol nunca se põe. Diante desse regime extremo, a maior parte dos contratos na base, incluindo o de Lee, é temporária e se concentra em uma única temporada por ano.

Vida social sob neve constante
May faz as refeições na cafeteria da estação, com ingredientes frescos trazidos de avião enquanto o clima permite. Quando a temperatura despenca, a alimentação depende de suprimentos congelados estocados com antecedência.
O expediente termina às 17h30, mas raramente encerra o dia: a base tem programação noturna com encontros culturais, oficinas manuais e apresentações sobre temas científicos. Nos meses de sol permanente, sair de um evento de madrugada e encontrar luz do dia virou rotina para os moradores.
Lee aproveitou o tempo livre para atuar como voluntária na biblioteca da estação, onde passou a apresentar um programa próprio na rádio local. Toda semana, ela coloca no ar sucessos dos anos 1980 para animar as noites geladas dos moradores da base.





