Combinar ômega-3 com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose produz resultados comparáveis aos de antibióticos no tratamento da periodontite em estágio grave, segundo estudo publicado em maio na revista científica Journal of Periodontology.
A pesquisa foi conduzida por equipes ligadas ao Hospital Israelita Albert Einstein, à Universidade Guarulhos (UNG), à Universidade de Taubaté (Unitau) e à Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP (Forp-USP), no Brasil, além da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, com apoio da Fapesp.
Estudo acompanhou 109 pacientes por um ano inteiro
A periodontite é uma inflamação crônica causada pelo acúmulo de bactérias abaixo da linha da gengiva, capaz de destruir os tecidos que sustentam os dentes; em estágios avançados, pode levar à perda óssea, à mobilidade dentária e até à queda dos dentes.
O estudo dividiu 109 pacientes com a doença em estágio avançado em quatro grupos, todos submetidos primeiro à raspagem subgengival, tratamento padrão para a condição.
Segundo os pesquisadores, pacientes com quadros graves apresentam bolsas periodontais muito profundas, que funcionam como reservatórios para as bactérias associadas à doença.
Um dado chamou atenção da equipe: mesmo seis meses depois do fim da suplementação com ômega-3 e AAS, os participantes mantiveram resultados clínicos parecidos com os observados logo após o término do tratamento, o que sugere um efeito duradouro da combinação, e não apenas temporário.
Combinação age de forma diferente dos anti-inflamatórios tradicionais
Segundo a pesquisadora Nídia Castro dos Santos, uma das autoras do estudo, o ômega-3 não funciona como os anti-inflamatórios convencionais, que bloqueiam vias específicas da inflamação.
Em vez disso, o nutriente participa da produção de moléculas envolvidas na resolução natural do processo inflamatório e no reparo dos próprios tecidos afetados. Já o AAS em baixa dose potencializa a formação desses mesmos mediadores, atuando em conjunto com o ômega-3.
A relevância do achado cresce num contexto de preocupação global com a resistência bacteriana a antimicrobianos: embora a combinação entre metronidazol e amoxicilina ainda apresente bons resultados nos casos mais graves de periodontite, o uso repetido de antibióticos ao longo do tempo favorece o surgimento de bactérias resistentes, reduzindo a eficácia dos medicamentos disponíveis.
Os pesquisadores reforçam, porém, que a decisão de usar ou não antibióticos deve continuar sendo avaliada caso a caso, junto a um dentista.





