O susto ao avistar uma lagartixa correndo pela parede ou uma lacraia escondida no canto do banheiro costuma terminar do mesmo jeito: o bicho é morto na hora, sem dó. Poucas pessoas sabem que esses animais se alimentam de pragas bem mais incômodas, como baratas, pernilongos e traças.
A diferença entre os dois está no risco real que cada um representa dentro de casa. A lagartixa não tem veneno e é totalmente inofensiva às pessoas, enquanto a lacraia carrega ferrões e exige cuidado redobrado.
Por que a lagartixa vale a pena ter por perto
Pequenos insetos e outros bichos que circulam pelas paredes formam a alimentação da lagartixa: mosquitos, pernilongos, mariposas, traças, aranhas pequenas e filhotes de barata.
A espécie mais encontrada nos lares brasileiros é a lagartixa-de-parede, de origem africana, que teria chegado ao país há séculos a bordo de navios e hoje está presente até nas grandes cidades.
É um bicho discreto que costuma passar despercebido até aparecer perto de uma lâmpada acesa. Ela fica atraída pelos insetos que a luz atrai à noite, aproveitando o banquete para se alimentar.
Diferente da lagartixa, a lacraia, também chamada de centopeia, é uma caçadora noturna que vai além dos insetos: pode se alimentar até de lagartixas, camundongos e filhotes de pássaros.
Segundo o Instituto Butantan, ela pode chegar a 23 centímetros de comprimento e possui ferrões em forma de pinça localizados sob a cabeça, usados tanto para caçar quanto para se defender.
Vale lembrar que ela não é o mesmo bicho que o piolho-de-cobra, de corpo arredondado e movimento lento, que se alimenta de restos de plantas e não tem ferrão algum. O veneno da lacraia tem baixa toxicidade para humanos, mas a picada costuma causar dor intensa e inchaço no local.
O que fazer em caso de picada e como afastar os dois sem veneno?
Lavar o local com água e sabão é o primeiro passo recomendado pelo Instituto Butantan após uma picada de lacraia. Tomar um analgésico ajuda a controlar a dor, e procurar atendimento médico é necessário se os sintomas piorarem ao longo das horas seguintes.
Em nenhuma hipótese o animal deve ser pego com as mãos, mesmo que pareça morto ou imóvel. Em algumas regiões do país, o termo lacraia também é usado para se referir ao escorpião, espécie que oferece risco consideravelmente maior e exige ainda mais cuidado.
Eliminar o que atrai esses animais é mais eficaz do que combatê-los diretamente: menos insetos, menos umidade e menos esconderijos resultam em menos visitas. O Instituto Butantan recomenda limpar os ralos semanalmente, vedar frestas em paredes e rodapés, e evitar acúmulo de entulho em garagens e quintais.
Afastar trepadeiras das paredes e manter caixas de gordura bem tampadas completam a lista de cuidados simples. Como as lagartixas podem carregar bactérias como a salmonela, manter os alimentos cobertos e lavar as mãos após tocar em superfícies por onde elas passaram evita contaminações desnecessárias.





