Nas últimas quatro décadas, o El Niño atingiu níveis de força nunca antes registrados.
Um estudo conduzido por cientistas da Universidade de Michigan apontou que esse fenômeno climático ganhou cerca de 40% mais intensidade em comparação com o período anterior à industrialização.
O resultado não encontra paralelo nos registros naturais dos últimos séculos.
El Niño nunca foi tão intenso quanto agora, indica estudo com corais
Para chegar a essa conclusão, publicada em 27 de agosto na revista Science, a equipe usou colônias de coral retiradas das Ilhas Galápagos, que guardam registros do clima do oceano desde 1850.
Segundo os resultados, em nenhum momento anterior a esse intervalo o fenômeno havia atingido força comparável à observada nas últimas quatro décadas.
Os corais funcionam como um arquivo natural do clima.
Eles crescem entre 1 e 2 centímetros por ano e depositam camadas sucessivas de carbonato de cálcio, que registram as condições ambientais de cada período.
Os pesquisadores coletaram amostras de 13 colônias diferentes para mapear as flutuações de temperatura nas águas equatoriais do Pacífico.
O exame de cada camada depositada ao longo dos séculos permitiu identificar os anos de El Niño intenso e os períodos de estabilidade climática.
Os dados revelaram a magnitude sem precedentes dos últimos 40 anos.
O mecanismo por trás da intensificação e perspectivas para 2026
Em condições normais, os ventos alísios deslocam as águas quentes da costa sul-americana até a Austrália e a Indonésia.
Quando esses ventos se enfraquecem, a água quente muda de direção e volta para o leste, o que altera a temperatura da superfície do mar e marca o início de um episódio de El Niño.
Segundo Julia Cole, autora principal da pesquisa e professora da Universidade de Miami, a intensidade do El Niño acompanha o aquecimento global.
Desde 1850, momento em que a influência humana no clima se acelerou por meio das emissões de gases de efeito estufa, a força dos eventos cresceu de forma consistente e sem precedentes na escala de séculos estudada.
O El Niño de 2026 será o terceiro evento forte em apenas 11 anos, um padrão inédito na história recente.
Nos últimos 150 anos, o Super El Niño ocorreu apenas quatro vezes, e as projeções indicam que acontecerá novamente este ano com probabilidade de 82%, conforme dados da NOAA.
O aumento na frequência e na intensidade desses episódios reforça a conexão entre o aquecimento global e as alterações nos padrões climáticos oceânicos.
Essas mudanças evidenciam como o sistema climático terrestre afeta os padrões de precipitação, temperatura e condições atmosféricas em escala planetária.





