A MMG, mineradora controlada pela estatal chinesa China Minmetals, busca concluir até o fim de novembro a compra de ativos de ferro-níquel da Anglo American no Brasil.
Uma última audiência entre os envolvidos está marcada para o início de novembro, em Bruxelas, segundo comunicado divulgado pela empresa na segunda-feira passada.
O negócio foi fechado em fevereiro de 2025 por aproximadamente US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) e inclui principalmente duas usinas de produção em Goiás: Barro Alto e Niquelândia (Codemin).
As unidades têm capacidade conjunta para produzir 40 mil toneladas por ano de liga de níquel, matéria-prima essencial na fabricação de aço inox.
Expansão futura no Pará e em Mato Grosso
Além das duas operações já em funcionamento, a transação inclui dois projetos minerais em desenvolvimento. Jacaré, localizado no Pará, tem potencial de cerca de 300 milhões de toneladas de recursos minerais, enquanto Morro Sem Boné, em Mato Grosso, possui 65 milhões de toneladas.
A empresa está listada na bolsa de Hong Kong e tem sede administrativa em Melbourne, na Austrália. Com receita global de cerca de US$ 6,2 bilhões, atua na mineração de cobre, zinco. E outros metais básicos na Austrália, em Botsuana, na República Democrática do Congo, no Peru e no Canadá.
O negócio com a Anglo marca sua primeira operação no Brasil.
Preocupações europeias sobre destino das vendas
A Comissão Europeia analisa o acordo, com atenção especial ao destino das exportações. O temor é que o ferro-níquel da Anglo, hoje enviado para a União Europeia em cerca de um terço da produção brasileira, seja redirecionado para mercados asiáticos, especialmente a China.
Fabricantes de aço inox europeus importam principalmente o produto de baixo carbono, que alcança preço superior.
A MMG não vê risco de interromper o fornecimento à União Europeia. Os embarques para a região representam um terço das vendas totais, e a empresa planeja elevar a capacidade de produção em Barro Alto.





