O aquecimento do planeta é uma das pautas mais importantes do século XXI. Isso porque ele afeta a saúde pública, economia e principalmente a sobrevivência do ecossistema na Terra. Diante disso, é responsabilidade de todos tomar atitudes que combatam esse problema. Nesse cenário, uma empresa quer gastar R$ 56 bilhões por ano nessa causa. Continue a leitura e saiba mais sobre!
Empresa quer resfriar a Terra artificialmente
A proposta parte da Stardust Solutions, uma empresa israelo-americana que desenvolve uma tecnologia de geoengenharia solar. A ideia é interferir diretamente na quantidade de radiação solar que chega à superfície terrestre, utilizando partículas microscópicas capazes de refletir parte dessa energia de volta para o espaço.
O conceito pode parecer distante da realidade, mas está relacionado a um fenômeno que já acontece naturalmente. Grandes erupções vulcânicas conseguem lançar partículas na atmosfera e provocar uma redução temporária das temperaturas globais. Em 1991, por exemplo, a erupção do Monte Pinatubo, nas Filipinas, liberou grandes quantidades de material na atmosfera e contribuiu para um resfriamento médio do planeta de aproximadamente 0,5 °C durante mais de um ano.
A Stardust pretende reproduzir parte desse mecanismo de forma controlada. Para isso, a empresa trabalha com partículas de sílica amorfa que seriam dispersadas em grandes altitudes. Segundo a companhia, o material teria cerca de 0,5 micrômetro de diâmetro e seria lançado na estratosfera, região da atmosfera localizada aproximadamente entre 10 e 50 quilômetros acima da superfície.
Dessa forma, o objetivo não é retirar o dióxido de carbono já presente na atmosfera, mas diminuir temporariamente a quantidade de energia solar absorvida pelo planeta.
Como funcionaria a tecnologia
O funcionamento depende de um princípio físico relativamente simples: quanto menor for a quantidade de radiação solar absorvida pela Terra, menor tende a ser o aquecimento provocado por essa energia.
As partículas seriam transportadas para a estratosfera por sistemas de dispersão desenvolvidos pela empresa. Uma vez nessa região, elas poderiam refletir parte da luz solar antes que a energia chegasse à superfície terrestre. O efeito esperado seria uma redução temporária da temperatura média global.
Esse processo é chamado de modificação da radiação solar, uma das vertentes da geoengenharia climática. Existem outras propostas dentro desse campo, como alterar a refletividade de superfícies, modificar determinadas características das nuvens e até criar estruturas capazes de bloquear parte da radiação solar.
A Organização das Nações Unidas (ONU), porém, destaca que essas tecnologias não eliminam os gases de efeito estufa e também não resolvem outros problemas associados ao excesso de dióxido de carbono, como a acidificação dos oceanos. Ou seja, mesmo que uma técnica desse tipo consiga reduzir a temperatura, ela não elimina a causa principal do aquecimento global.
Quanto custaria o projeto
De acordo com as estimativas apresentadas pela Stardust Solutions, uma operação em escala global poderia exigir aproximadamente US$ 10 bilhões por ano. Convertido para a moeda brasileira na referência utilizada para a estimativa, o valor chega a cerca de R$ 56 bilhões anuais.
O montante mostra que a proposta não seria uma operação pontual. Para manter o efeito de resfriamento, seria necessário continuar realizando a dispersão das partículas ao longo do tempo, já que a tecnologia não remove permanentemente os fatores responsáveis pelo aumento da temperatura.
A empresa já conseguiu levantar US$ 75 milhões desde sua criação, em 2023, junto a investidores interessados no desenvolvimento da tecnologia. A companhia também trabalha com a possibilidade de uma aplicação comercial em larga escala nos próximos anos.
Por que cientistas estão preocupados
O principal problema não está apenas em saber se as partículas conseguem refletir a luz solar. A questão é entender o que acontece com o restante do sistema climático quando uma intervenção desse tamanho é realizada.
O clima da Terra funciona por meio de uma série de interações entre atmosfera, oceanos, continentes, gelo e circulação de umidade. Alterar a quantidade de radiação que chega ao planeta pode, portanto, produzir efeitos diferentes em cada região.
A ONU alerta para a possibilidade de mudanças nos padrões de precipitação, alterações na variabilidade climática, impactos sobre a estratosfera e outros efeitos ambientais que ainda não são completamente conhecidos. Existe também o risco de o resfriamento ocorrer de maneira desigual entre diferentes áreas do planeta.
Isso significa que uma tecnologia capaz de reduzir a temperatura média global não necessariamente produziria o mesmo benefício em todos os países. Algumas regiões poderiam experimentar redução do aquecimento enquanto outras sofreriam alterações nas chuvas ou em outros padrões meteorológicos.
Outro ponto envolve a própria governança da tecnologia. Uma intervenção atmosférica em escala planetária não afetaria apenas o país que decidisse utilizá-la. Como o sistema climático não respeita fronteiras nacionais, uma decisão tomada por um governo ou empresa poderia produzir consequências em diversas partes do mundo.





