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Empresa quer gastar R$ 56 bilhões por ano para combater o aquecimento do planeta

Por Matheus Chaves
11/09/2026
Especialistas alertam para possível tragédia e governo libera R$ 600 milhões para proteger o Brasil

(Imagem: Rawpixel.com/Magnifica)

O aquecimento do planeta é uma das pautas mais importantes do século XXI. Isso porque ele afeta a saúde pública, economia e principalmente a sobrevivência do ecossistema na Terra. Diante disso, é responsabilidade de todos tomar atitudes que combatam esse problema. Nesse cenário, uma empresa quer gastar R$ 56 bilhões por ano nessa causa. Continue a leitura e saiba mais sobre!

Empresa quer resfriar a Terra artificialmente

A proposta parte da Stardust Solutions, uma empresa israelo-americana que desenvolve uma tecnologia de geoengenharia solar. A ideia é interferir diretamente na quantidade de radiação solar que chega à superfície terrestre, utilizando partículas microscópicas capazes de refletir parte dessa energia de volta para o espaço.

O conceito pode parecer distante da realidade, mas está relacionado a um fenômeno que já acontece naturalmente. Grandes erupções vulcânicas conseguem lançar partículas na atmosfera e provocar uma redução temporária das temperaturas globais. Em 1991, por exemplo, a erupção do Monte Pinatubo, nas Filipinas, liberou grandes quantidades de material na atmosfera e contribuiu para um resfriamento médio do planeta de aproximadamente 0,5 °C durante mais de um ano.

A Stardust pretende reproduzir parte desse mecanismo de forma controlada. Para isso, a empresa trabalha com partículas de sílica amorfa que seriam dispersadas em grandes altitudes. Segundo a companhia, o material teria cerca de 0,5 micrômetro de diâmetro e seria lançado na estratosfera, região da atmosfera localizada aproximadamente entre 10 e 50 quilômetros acima da superfície.

Dessa forma, o objetivo não é retirar o dióxido de carbono já presente na atmosfera, mas diminuir temporariamente a quantidade de energia solar absorvida pelo planeta.

Como funcionaria a tecnologia

O funcionamento depende de um princípio físico relativamente simples: quanto menor for a quantidade de radiação solar absorvida pela Terra, menor tende a ser o aquecimento provocado por essa energia.

As partículas seriam transportadas para a estratosfera por sistemas de dispersão desenvolvidos pela empresa. Uma vez nessa região, elas poderiam refletir parte da luz solar antes que a energia chegasse à superfície terrestre. O efeito esperado seria uma redução temporária da temperatura média global.

Esse processo é chamado de modificação da radiação solar, uma das vertentes da geoengenharia climática. Existem outras propostas dentro desse campo, como alterar a refletividade de superfícies, modificar determinadas características das nuvens e até criar estruturas capazes de bloquear parte da radiação solar.

A Organização das Nações Unidas (ONU), porém, destaca que essas tecnologias não eliminam os gases de efeito estufa e também não resolvem outros problemas associados ao excesso de dióxido de carbono, como a acidificação dos oceanos. Ou seja, mesmo que uma técnica desse tipo consiga reduzir a temperatura, ela não elimina a causa principal do aquecimento global.

Quanto custaria o projeto

De acordo com as estimativas apresentadas pela Stardust Solutions, uma operação em escala global poderia exigir aproximadamente US$ 10 bilhões por ano. Convertido para a moeda brasileira na referência utilizada para a estimativa, o valor chega a cerca de R$ 56 bilhões anuais.

O montante mostra que a proposta não seria uma operação pontual. Para manter o efeito de resfriamento, seria necessário continuar realizando a dispersão das partículas ao longo do tempo, já que a tecnologia não remove permanentemente os fatores responsáveis pelo aumento da temperatura.

A empresa já conseguiu levantar US$ 75 milhões desde sua criação, em 2023, junto a investidores interessados no desenvolvimento da tecnologia. A companhia também trabalha com a possibilidade de uma aplicação comercial em larga escala nos próximos anos. 

Por que cientistas estão preocupados

O principal problema não está apenas em saber se as partículas conseguem refletir a luz solar. A questão é entender o que acontece com o restante do sistema climático quando uma intervenção desse tamanho é realizada.

O clima da Terra funciona por meio de uma série de interações entre atmosfera, oceanos, continentes, gelo e circulação de umidade. Alterar a quantidade de radiação que chega ao planeta pode, portanto, produzir efeitos diferentes em cada região.

A ONU alerta para a possibilidade de mudanças nos padrões de precipitação, alterações na variabilidade climática, impactos sobre a estratosfera e outros efeitos ambientais que ainda não são completamente conhecidos. Existe também o risco de o resfriamento ocorrer de maneira desigual entre diferentes áreas do planeta.

Isso significa que uma tecnologia capaz de reduzir a temperatura média global não necessariamente produziria o mesmo benefício em todos os países. Algumas regiões poderiam experimentar redução do aquecimento enquanto outras sofreriam alterações nas chuvas ou em outros padrões meteorológicos.

Outro ponto envolve a própria governança da tecnologia. Uma intervenção atmosférica em escala planetária não afetaria apenas o país que decidisse utilizá-la. Como o sistema climático não respeita fronteiras nacionais, uma decisão tomada por um governo ou empresa poderia produzir consequências em diversas partes do mundo.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Matheus Chaves

Matheus Chaves

Jornalista e produtor de conteúdo com mais de nove anos de experiência em comunicação digital, produção editorial e jornalismo online.

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