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Entre ursos de pelúcia e paredes: Argentina tem R$ 1,3 bilhão escondidos em locais secretos

Por Julia da Silva
06/02/2026
Entre ursos de pelúcia e paredes: Argentina tem R$ 1,3 bilhão escondidos em locais secretos

Créditos: Freepik

Entre paredes ocas, caixas de descarga, eletrodomésticos antigos e até ursos de pelúcia, a Argentina abriga uma das maiores fortunas “invisíveis” do mundo.

Estimativas indicam que cerca de US$ 250 bilhões — o equivalente a R$ 1,3 bilhão — estão guardados fora do sistema financeiro formal, escondidos dentro de casas ou mantidos em cofres privados e contas no exterior. O valor é quase seis vezes maior que as reservas do Banco Central argentino.

A prática de esconder dólares debaixo do colchão faz parte do cotidiano do país há décadas, alimentada por crises cambiais, congelamentos bancários e sucessivas quebras de confiança no sistema financeiro.

Dólares fora do banco começam a reaparecer

Desde a chegada do presidente Javier Milei ao poder, no fim de 2023, esse comportamento começa a mudar lentamente. Dados oficiais mostram que os depósitos em dólares de pessoas físicas nos bancos argentinos atingiram recorde histórico, chegando a quase US$ 37 bilhões — alta de 160% em dois anos.

O governo tem apostado no fim de controles rígidos e em regras mais flexíveis para estimular o retorno desses recursos à economia formal.

Uma nova lei aprovada pelo Congresso ampliou os limites para uso de dinheiro não declarado, reduzindo o risco de punições imediatas por evasão fiscal. Antes, movimentações acima de US$ 1 mil já geravam alertas; agora, em alguns casos, é possível usar até US$ 70 mil sem justificar a origem.

A estratégia mira destravar crédito, fortalecer bancos e impulsionar setores como o imobiliário e o automotivo. Uma anistia fiscal anterior, em 2024, trouxe cerca de US$ 24 bilhões de volta ao sistema financeiro e regularizou milhares de imóveis.

Mesmo assim, o trauma coletivo ainda pesa. Economistas afirmam que o hábito de esconder dólares é transmitido entre gerações. Jovens repetem práticas aprendidas com pais e avós, mantendo dinheiro escondido entre roupas, móveis ou objetos pessoais.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Julia da Silva

Julia da Silva

Jornalista com experiência em textos jornalísticos e de redação criativa, interessada pelo mundo e por boas histórias.

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