Oleosidade, células mortas da pele e restos de produto se misturam nas cerdas de pincéis e nas esponjas a cada aplicação de maquiagem. Esse acúmulo cria terreno fértil para bactérias, algo que raramente entra no radar de quem se preocupa com a validade dos cosméticos.
Pesquisadores britânicos encontraram bactérias prejudiciais em mais de 79% dos produtos de maquiagem analisados, incluindo Staphylococcus aureus e Escherichia coli. As esponjas do tipo beauty blender apareceram com o maior número de microrganismos, e 93% delas nunca tinham sido lavadas.
Beleza e estética estão entre os assuntos mais pesquisados por catarinenses na internet, principalmente entre mulheres de 30 a 49 anos. Segundo o IBOPE Target Group Index 2025, 44,2% delas buscam esse tipo de conteúdo. A higienização dos acessórios, porém, costuma ficar fora dessa busca por informação.
Qual a frequência ideal de limpeza
Pincéis costumam precisar de lavagem a cada 7 a 10 dias. Esse intervalo evita que resíduos se transformem em foco de irritação na pele. Produtos cremosos ou líquidos exigem limpeza mais frequente, porque deixam mais sujeira presa entre as cerdas do que os pós tradicionais.
Deixar a água correr pelas cerdas por poucos segundos não resolve, porque a sujeira penetra mais fundo do que parece. Álcool também não elimina todos os microrganismos, pois não remove a camada de células mortas e óleo acumulada no acessório.
Água morna e shampoo suave ajudam a dissolver a sujeira acumulada nas cerdas. As pontas do pincel devem ser giradas e massageadas delicadamente na solução até que a espuma saia sem resíduos.
Papel ou toalha absorvente retiram o excesso de líquido. Depois, o pincel deve secar com as cerdas para fora da superfície, sem ficar apoiado sobre elas. Mergulhar o cabo inteiro compromete a cola que prende as cerdas à base, um erro que encurta a vida útil do pincel.
A estrutura fofa e densa da esponja dificulta tanto a higienização quanto a secagem completa, o que a torna mais arriscada que o pincel. Por isso a limpeza precisa acontecer após cada uso, não apenas uma vez por semana.
A American Academy of Dermatology recomenda lavar a esponja com água morna e sabonete específico, massageá-la suavemente e enxaguá-la até a água sair transparente. A esponja deve secar completamente ao ar livre para que a umidade retida não favoreça a proliferação de bactérias.
Os riscos de emprestar maquiagem
Dividir pincéis, esponjas ou aplicadores com outra pessoa facilita a transmissão de problemas como conjuntivite e herpes labial, conforme dermatologistas da AAD. O motivo é que esses acessórios carregam oleosidade e microrganismos da pele de quem os usou por último.
Nenhum prazo fixo determina quando trocar um pincel ou uma esponja, o estado de conservação pesa mais do que o tempo de uso contado em meses. Seguir as instruções do fabricante também ajuda a manter as propriedades dos produtos cosméticos, conforme orienta a Anvisa.
Acne, vermelhidão ou coceira que insistem em reaparecer merecem um olhar também para os acessórios usados na maquiagem, não só para os cosméticos em si. Quando há suspeita de que o pincel ou a esponja estejam provocando o problema, a orientação é buscar um dermatologista.
A higiene adequada dos acessórios integra os cuidados recomendados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia para preservar a saúde da pele. Pincéis limpos, secos e de uso individual ajudam a evitar irritações que começam na nécessaire.





