Um esqueleto enterrado há quase um milênio ajudou a resolver um mistério arqueológico que intrigava pesquisadores no sul da Groenlândia.
As ruínas de pedra da região de Qinngua, próxima a Narsarsuaq, geravam dúvidas há décadas sobre sua função.
Uma escavação em agosto deste ano encontrou o corpo junto às estruturas e confirmou que as ruínas pertenciam a uma igreja medieval nórdica.
O local fica perto de Brattahlíð, principal assentamento ligado a Erik, o Vermelho, uma das figuras centrais da colonização viking na ilha.
A descoberta amplia o mapa conhecido da presença nórdica na Groenlândia.
Esqueleto de 900 anos encontrado escondido em uma igreja ajuda a explicar quem construiu antigas ruínas de pedra na Groenlândia
Pesquisadores já suspeitavam que aquele conjunto de pedras trabalhadas formava uma construção com propósito religioso, pois a muralha retangular ao redor das ruínas levantava essa hipótese.
Mas faltava uma prova concreta: as primeiras investigações, feitas ainda nos anos 2000, não haviam revelado nenhuma sepultura no terreno.
Sem um cemitério documentado, os pesquisadores não podiam confirmar a natureza sagrada da estrutura.
A confirmação veio quando os arqueólogos escavaram em agosto e encontraram o esqueleto com a cabeça voltada para o leste, um posicionamento que segue a tradição de sepultamentos cristãos medievais.
Essa orientação e a presença do corpo confirmaram tanto a existência do antigo cemitério quanto a função religiosa do local.
O tamanho da construção e a quantidade de pedras lavradas encontradas indicam que ela foi erguida entre 1.100 e 1.300, embora pesquisadores ainda estejam analisando os achados.
A descoberta revela mais do que apenas a existência de um templo: duas ou três antigas fazendas ficam próximas à igreja, sugerindo que ali existia uma pequena comunidade organizada ao seu redor.
Esse tipo de estrutura ajuda a compreender como grupos nórdicos distribuíram poder e construíram relações sociais entre si.
Para os pesquisadores, o local também pode fornecer pistas sobre relações sociais e de poder entre os grupos nórdicos.

Possível ligação com textos históricos antigos
A descoberta ganha importância adicional por uma coincidência geográfica e histórica.
Documentos medievais mencionam igrejas nórdicas na Groenlândia que nunca foram localizadas, entre elas, uma chamada “Kirkja undir Sólarfjöllum”, traduzida como “Igreja sob as Montanhas do Sol”.
A paisagem ao redor de Qinngua corresponde a essa descrição: as montanhas próximas ao sítio arqueológico poderiam ser as “Montanhas do Sol” mencionadas nos textos históricos.
Os pesquisadores, porém, ainda não afirmam com segurança que se trata da mesma edificação.
O achado funciona como pista valiosa para futuras buscas de outros templos registrados em documentos medievais e ainda não identificados.




