As chamadas “piscinas da morte” do Mar Vermelho desafiam seu nome sombrio: pesquisadores descobriram que esses ambientes extremos abrigam microrganismos e guardam pistas sobre como os primeiros organismos obtinham energia bilhões de anos atrás.
Um estudo publicado em 2 de setembro na revista AGU Advances analisou essas formações únicas do fundo do oceano.
Estudo encontra microrganismos nas chamadas piscinas da morte do Mar Vermelho que podem ajudar a explicar como a vida surgiu na Terra
Localizadas a mais de 1.770 metros de profundidade, essas piscinas de salmoura são depressões repletas de água extremamente salgada e desprovidas de oxigênio, condições que por muito tempo levaram cientistas a acreditar que nada conseguisse sobreviver ali.
A pesquisa de Morgan Chakraborty e sua equipe mostrou, porém, que bactérias e arqueias não apenas prosperam nesses ambientes hostis, como deixam marcas químicas nos sedimentos que fornecem pistas sobre a vida primitiva.
Os pesquisadores analisaram a composição dos sedimentos de uma piscina ativa, de três pontos do fundo do mar sem essas formações e de uma região que teria abrigado uma piscina já desaparecida.
O trabalho revelou concentrações extraordinárias de metais como manganês, ferro, molibdênio e cobre, mais de 100 vezes superiores às encontradas em outras partes do fundo do mar.
A piscina extinta, identificada a quase 1,4 mil metros de profundidade por anéis minerais característicos, apresentou enriquecimento metálico semelhante.
Em ambas as formações, os cientistas detectaram manganês em forma oxidada e matéria orgânica carregada de molibdênio, em sinais compatíveis com processos microbianos.
Energia antes do oxigênio abundante
As descobertas apontam um mecanismo crucial para a história da vida na Terra.
Microrganismos como os do gênero Nitrospira conseguem oxidar manganês e usar essa reação como fonte de energia, um processo que, segundo os autores, pode ter alimentado as primeiras formas de vida em oceanos muito diferentes dos atuais.
Esse cenário teria prevalecido até o Grande Evento de Oxidação, há cerca de 2,4 bilhões a 2,2 bilhões de anos, quando o oxigênio começou a se acumular na atmosfera.
Antes disso, a vida dependia de outras reações químicas para gerar energia, e o manganês pode ter desempenhado papel central nesses processos primitivos.
Os resultados sugerem que oceanos antigos poderiam ter acumulado esses metais sem depender de organismos que produziam oxigênio por fotossíntese.
A descoberta que abre novas interpretações sobre como e onde as primeiras formas de vida conseguiram se estabelecer na Terra.
Contudo, segundo os autores, ainda são necessárias mais pesquisas para aprofundar essas conclusões.





