O Grupo Gennius, dono das marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, teve o pedido de recuperação judicial aprovado pela Justiça de São Paulo. O processo foi protocolado na segunda-feira (24) e deferido pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), com dívida declarada de R$ 265.207.959,83.
Estrutura reúne 178 CNPJs em um único processo
O pedido de recuperação abrange 178 CNPJs do grupo, incluindo 17 sociedades ligadas à estrutura operacional, como call center, apoio a franqueados e indústrias, além de duas propriedades rurais usadas na produção de insumos.
Segundo a própria ação, o conjunto de empresas forma uma única estrutura empresarial interligada, com avais e garantias cruzadas entre as dívidas de cada sociedade, o que fez com que o passivo de uma unidade se comunicasse com o das demais.
Do total da dívida, R$ 241.732.066,68 correspondem a créditos quirografários, com privilégio especial, privilégio geral ou subordinados, e R$ 1.147.868,41 pertencem a créditos de microempresas ou empresas de pequeno porte.
Ao aprovar o pedido, o juiz impediu a execução de contratos contra o grupo e autorizou a manutenção do fornecimento de insumos e serviços essenciais à continuidade das operações. Em nota, o Grupo Gennius afirmou que as unidades seguem funcionando normalmente, mantendo atendimento, rotina e qualidade das lojas em todo o país.
Especialista vê risco de desabastecimento às franquias
O Grupo Gennius também fabrica queijos, pães, sorvetes e doces usados para abastecer as próprias franquias, o que amplia o alcance da crise para além das lojas controladas diretamente pelo grupo.
Segundo o especialista Claudio Damasceno, ouvido pelo UOL, o processo de recuperação judicial compromete a capacidade de pagamento da rede junto a fornecedores, o que pode gerar desabastecimento ou aumento no preço das matérias-primas repassadas às unidades franqueadas.
Agora, o Grupo Gennius tem prazo de 60 dias, sem possibilidade de prorrogação, para apresentar um plano de recuperação judicial aos credores. Caso o plano não seja aprovado dentro desse período, a empresa corre o risco de ter a recuperação convertida em falência.





