Um fóssil de araucária com cerca de 120 milhões de anos recebeu o nome científico de Araucaria benignae, em homenagem à Menina Benigna, jovem mártir do Cariri cearense beatificada pela Igreja Católica em 2022.
O exemplar, que serve como referência oficial para a espécie, está na coleção do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri.
O material faz parte de um conjunto de fósseis repatriados da França em 2024, mais de duas toneladas devolvidas ao Brasil num processo de valorização do patrimônio paleontológico nacional.
Segundo Allysson Pontes Pinheiro, diretor do museu e professor da Universidade Regional do Cariri (Urca), é o primeiro desses fósseis a se tornar uma nova espécie descrita cientificamente.
“Na época dos dinossauros, da separação dos continentes, as araucárias ocorriam na nossa região. É com muita felicidade que essa espécie homenageia a Menina Benigna, símbolo da nossa região”, afirmou ao Diário do Nordeste.

A pinha que definiu a espécie
Segundo Edenilce Peixoto, professora da Urca, a Araucaria benignae foi descrita a partir das estruturas reprodutivas do fóssil, popularmente conhecidas como pinha.
A espécie pertence à família Araucariaceae, a mesma do Pinheiro do Paraná, que hoje só ocorre naturalmente no Sul e Sudeste do Brasil, mas no período Cretáceo, quando a araucária viveu, predominava também na vegetação do Nordeste.
Um caso raro na nomenclatura científica
Segundo o museu, já existem outros casos de espécies fósseis batizadas em homenagem a figuras religiosas, como Papulavis, ave fóssil francesa relacionada ao mártir cristão Papulus, e Hildoceras, gênero de amonites ligado a Santa Hilda de Whitby. Mas não há registro de outro caso documentado que una uma mulher mártir oficialmente reconhecida pela Igreja Católica a uma homenagem na nomenclatura de uma espécie fóssil.
Quem foi Menina Benigna
Benigna Cardoso da Silva nasceu em Santana do Cariri em 1928 e foi assassinada a golpes de facão em 1941, aos 13 anos, por Raul Alves, depois de recusar ter relações sexuais com ele. Desde então, passou a ser venerada como mártir na região do Cariri e tornou-se símbolo da resistência contra o feminicídio e a violência sexual infantil. Foi beatificada em outubro de 2022, no Crato, tornando-se a primeira beata cearense, num processo autorizado pelo Papa Francisco em 2019.





