A feijoa, também chamada de goiabeira-serrana, é uma fruta nativa do Sul do Brasil que os povos Xokleng, Kaingang e Guarani já consumiam antes da chegada dos europeus.
Hoje, ela está muito mais presente nos quintais da Nova Zelândia do que nas feiras de seu país de origem.
Do Brasil para o mundo, pela Europa
A história da feijoa fora do Brasil começa no século 19, quando o botânico alemão Friedrich Sellow coletou amostras da planta no Sul do país e as enviou para a Europa.
O material foi depois catalogado por Otto Berg, em 1856, que batizou a espécie como Feijoa sellowiana, em homenagem ao próprio Sellow e ao naturalista brasileiro José da Silva Feijó.
Cinquenta anos depois da descrição científica, a fruta passou a ser cultivada no exterior, primeiro na Europa e depois na Oceania e na América do Sul. Na Nova Zelândia, o plantio comercial foi estruturado a partir de 1983, com a criação de uma associação de produtores.
O país já desenvolveu mais de 30 cultivares da feijoa e exporta a fruta para os Estados Unidos, o Reino Unido, a Alemanha, a Holanda, a França e o Japão.

Na Colômbia, a fruta chegou por volta de 1937, via mudas neozelandesas, e cresceu de forma mais intensa nas últimas décadas do século 20, principalmente nas regiões andinas, onde as condições de altitude permitem colheita o ano todo.
Sabor que a maioria dos brasileiros nunca provou
A casca da feijoa é verde e firme, e o interior é uma polpa mole com sabor que mistura características de goiaba, abacaxi e hortelã. Em testes de degustação realizados em dois shoppings de Santa Catarina, mais de 90% dos participantes classificaram o sabor e o aroma da fruta como bons ou ótimos, segundo pesquisa publicada na Revista Brasileira de Fruticultura.
O problema é que a maioria dessas pessoas nunca tinha provado a fruta antes.
Por que a feijoa não engrenou no Brasil
Três barreiras explicam a ausência da feijoa nos mercados brasileiros. A primeira é a perecibilidade: o fruto começa a perder sabor rapidamente após a colheita e dura no máximo duas semanas em condições adequadas, o que complica a logística e afasta distribuidores.
A segunda é a altitude: a planta se desenvolve bem apenas em regiões acima de 800 metros, o que limita o cultivo comercial a partes de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. A terceira é a falta de cadeia produtiva organizada.
“O desconhecimento da fruta no Brasil se dá por falta de estudos, de marketing e de cadeia produtiva estruturada”, afirmou ao Estado de Minas o pesquisador Rubens Nodari, especialista em recursos genéticos da Universidade Federal de Santa Catarina.
A Epagri, empresa de pesquisa agropecuária de Santa Catarina, trabalha com a espécie desde 1980 e já lançou quatro cultivares adaptados ao planalto serrano do estado.
Um produtor catarinense chegou a colher uma tonelada de feijoa em uma única safra, o que dá dimensão do potencial local, mas ainda é pequeno frente ao que a Nova Zelândia produz anualmente.
O quilo da feijoa pode chegar a R$ 20 no varejo brasileiro, preço que reflete tanto a raridade do produto quanto o custo de produção em escala pequena.
Para pesquisadores da área, a fruta tem potencial de se tornar uma alternativa de renda para pequenos agricultores do Sul do país e contribuir para a preservação de espécies nativas da Mata Atlântica.





