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Garoto de 10 anos transforma preocupação com o meio ambiente em campanha que recolheu 800 mil baterias

Por Júlio Nesi
18/09/2026
Garoto de 10 anos transforma preocupação com o meio ambiente em campanha que recolheu 800 mil baterias

O jovem Sri Nihal Tammana. Foto: Teeeaaa / Wikipédia

A sala de estar de uma casa suburbana no norte de Nova Jersey era, em 2019, o quartel-general de uma revolução ambiental. Numa mesa de centro, um menino de 10 anos desenhava com giz de cera o que seria, meses depois, uma das maiores campanhas de reciclagem de baterias do planeta.

O nome do projeto já estava decidido como Recycle My Battery e sua missão era impedir que pilas descartadas de forma inadequada envenenassem o solo e a água em todo o mundo.

Já o nome de quem está por trás do projeto é o do garoto Sri Nihal Tammana, e a pergunta que o moveu desde o início é a mesma que ele ainda repete em entrevistas: “E se cada bateria que jogamos no lixo estiver, literalmente, envenenando a terra onde nossos filhos vão brincar?”

O gatilho do projeto

Tammana, então no quinto ano, ouviu de um familiar o relato de uma bateria de íon-lítio que havia explodido dentro de uma planta de descarte de resíduos nos Estados Unidos. O incidente, que poderia ter causado um incêndio de grandes proporções, o assustou e o fez pesquisar sobre o assunto.

Ao pesquisar, ele descobriu que baterias alcalinas, ao se decomporem em aterros, liberam substâncias que elevam o pH do solo a níveis tóxicos, chegando a 13,01, uma alcalinidade que destrói microrganismos e contamina aquíferos subterrâneos.

Baterias de lítio, por sua vez, representam risco de incêndio e liberam metais pesados. E, na época, a maioria das baterias descartadas nos EUA simplesmente não tinha destino certo: acabava no lixo comum.

“Eu tinha 10 anos, mas entendi que não existia ninguém fazendo isso em escala”, lembra Tammana. “Então decidi ser esse alguém.”

Da garagem para o mundo

Tammana, com apoio da família, começou a instalar contêineres gratuitos de coleta de baterias em escolas, bibliotecas e pequenas empresas da região de Monroe. No início, a logística contava com um contêiner lacrado, uma placa com instruções e um voluntário para esvaziar periodicamente.

A campanha começou como o “Battery Challenge” (Desafio da Bateria), um jogo entre escolas: quem coletasse mais baterias em um período determinado ganharia um troféu. No entanto, o que era uma brincadeira entre colegas de classe virou competição interestadual. Mais de 300 mil baterias foram recolhidas apenas nessa primeira campanha.

O salto internacional veio com a parceria com a B-cycle, maior recicladora de baterias da Austrália. A empresa adotou o modelo da Recycle My Battery em escolas australianas, e o movimento ganhou um segundo continente. Hoje, a rede conta com:

MétricaNúmeros
Baterias coletadas (acumulado)~900.000
Baterias recicladas625.000+
Jovens voluntários1.000+
Pessoas alcançadas por ações educativas85 milhões+
Pontos de coleta instalados1.000+
Países com atuação5+

Além disso, agora aos 15 anos, Tammana já olha para o próximo problema. O projeto Residual Charge busca resolver outro problema do setor que é o fato de que as plantas de reciclagem de baterias consomem muita energia para operar, e parte dessa energia vem de fontes fósseis.

A nova ideia de jovem é extrair a energia residual das baterias e usá-la para alimentar o próprio processo de reciclagem. “Se a gente consegue pegar a energia que sobra na bateria e usá-la para reciclar a bateria, o ciclo se fecha. bateria vira a sua própria usina, pelo menos até o fim do processo”, disse.

O projeto está em fase de prototipagem, com apoio de engenheiros voluntários e de universidades. Se funcionar em escala, poderia reduzir significativamente a pegada de carbono da reciclagem de baterias.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais. Cubro política, economia e empreendedorismo com foco em clareza e contexto. Tenho afinidade com pautas de sustentabilidade e meio ambiente (ESG) e causa animal. Trabalho com planejamento editorial, monitoramento de tendências e análise de desempenho. Também atuo com jornalismo investigativo e de dados.

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