Aos 8 anos, enquanto muitas crianças estavam concentradas nas brincadeiras e na escola, um menino de Santa Catarina já começava a ter contato com o mundo dos negócios. Durante as férias, ele vendia picolés na praia para conseguir o próprio dinheiro. Décadas depois, aquela experiência ficou muito distante da realidade financeira alcançada por ele: o catarinense Ricardo Castellar de Faria entrou para o grupo dos dez brasileiros mais ricos do Brasil.
O empresário construiu sua fortuna principalmente no agronegócio e se tornou conhecido como o “rei do ovo”. À frente da Granja Faria, ele transformou uma empresa criada em 2006 em um dos principais negócios brasileiros relacionados à produção de ovos comerciais, ovos férteis e pintos de um dia.
A trajetória ajuda a entender como uma atividade inicialmente regional passou a operar em uma escala muito maior. O crescimento da empresa, a expansão para outros mercados e aquisições realizadas nos últimos anos contribuíram para aumentar o patrimônio de Faria.

De vendedor de picolé a empresário do agronegócio
A infância de Faria começou longe da posição ocupada atualmente no ranking dos bilionários brasileiros. Natural do Rio de Janeiro, ele se mudou ainda criança com a família para Santa Catarina.
Foi nesse período que teve uma de suas primeiras experiências comerciais. Aos 8 anos, durante as férias, vendia picolés na praia. A atividade não representava o início formal de seu império empresarial, mas mostra um contato precoce com uma lógica que posteriormente faria parte de sua carreira: comprar, vender e administrar recursos.
Mais tarde, Faria se formou em engenharia agronômica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A formação acabou direcionando sua trajetória profissional para o setor que posteriormente seria responsável pela maior parte de sua fortuna.
Como surgiu a Granja Faria?
A Granja Faria foi criada em 2006 e começou a crescer dentro de um mercado ligado à produção de ovos e à cadeia avícola. O negócio passou a atuar não apenas com ovos destinados ao consumo, mas também com ovos férteis e pintos de um dia. Essa diversificação é importante porque permite que a empresa participe de diferentes etapas da cadeia produtiva.
Com a expansão das operações, a companhia passou a reunir dezenas de unidades produtoras e uma estrutura capaz de fornecer milhões de ovos diariamente. Segundo dados publicados pela Forbes, a Granja Faria chegou a empregar cerca de 2.700 pessoas em 34 unidades produtoras, com produção próxima de 16 milhões de ovos por dia.
Empresa cresceu por meio de aquisições
Outro mecanismo importante para a expansão da fortuna de Faria foi a estratégia de aquisições. Em 2024, a Granja Faria comprou a americana Hillandale Farms por aproximadamente US$ 1,1 bilhão. O negócio ampliou a presença do empresário no mercado internacional e levou a companhia brasileira a incorporar uma operação de grande porte nos Estados Unidos.
No ano seguinte, o grupo também avançou sobre o mercado europeu com a compra do Grupo HEVO, da Espanha. Essas operações modificam a escala do negócio. Em vez de crescer somente pela construção de novas unidades próprias, a empresa passa a incorporar estruturas que já existem, ampliando capacidade produtiva, mercados atendidos e participação na cadeia.
Por que o patrimônio cresceu?
O aumento da fortuna de Faria está diretamente relacionado ao valor de seus negócios e à expansão da Granja Faria. A Forbes apontava, em sua lista de 2025, patrimônio de R$ 19,6 bilhões para o empresário. Na edição de 2026, o valor aparece em R$ 35,1 bilhões. Ele ocupa a 10ª posição entre os brasileiros mais ricos.
Essa variação não significa necessariamente que Faria tenha recebido bilhões de reais em dinheiro durante o período. Rankings de grandes fortunas calculam o patrimônio com base no valor estimado das participações empresariais e de outros ativos.
Quando uma empresa cresce, realiza aquisições ou passa a ser avaliada em um patamar superior, a participação de seu controlador também pode ganhar valor. É esse mecanismo que ajuda a explicar como empresários podem subir rapidamente nas listas de bilionários sem necessariamente terem recebido o equivalente em dinheiro.
O “rei do ovo”
O apelido dado a Faria está relacionado à dimensão alcançada pela Granja Faria no mercado de ovos. A companhia se tornou uma das maiores produtoras de ovos comerciais e férteis do Brasil, além de atuar na produção de pintos de um dia.
A produção de ovos férteis tem uma função diferente daquela dos ovos destinados ao consumo. Eles são utilizados para reprodução e fazem parte da cadeia que abastece a produção de aves. Já os ovos comerciais chegam ao consumidor como alimento.
Essa divisão permite que uma empresa atue em diferentes pontos do setor avícola e reduza sua dependência de apenas uma fonte de receita.





