Um pai nicaraguense passou mais de três semanas com os quatro filhos em um centro de detenção de imigrantes em Dilley, no sul do Texas, nos Estados Unidos.
Em meio as necessidades do local, soube da existência de uma desconhecida que, segundo relatos, poderia disponibilizar até R$ 1 mil por semana.
A história foi revelada pela BBC News mundo e o nome do homem não foi revelado para proteger sua identidade.
Homem detido com quatro filhos recebe R$ 1 mil de desconhecida após crianças pedirem para sair do centro de imigração
Ele contou que a filha mais velha, que sofre de ansiedade, chegou a roer todas as unhas de tanto nervosismo.
As filhas mais jovens também davam sinais de desespero e pediram ao pai que assinasse qualquer documento, desde que a família pudesse deixar aquele lugar.
Foi nesse momento que outro detido mencionou uma mulher que ajudava os detidos dentro do centro.
Ele só acreditou na possibilidade quando uma advogada que visita o local regularmente confirmou a informação.
O pai enviou, do computador da biblioteca da unidade, uma mensagem pedindo apoio para comprar água, escovas e pasta de dente, além de lanches para os quatro filhos.
Ele relatou surpresa ao receber US$ 200 na conta poucos dias depois do contato, valor referente a cerca de R$ 1 mil.
Com o valor, a família comprou água, pipoca, guloseimas e itens frescos que não estavam disponíveis na rotina do centro. Segundo o relato, o gesto trouxe alívio às crianças durante a espera.
O caso desse pai não é isolado. Outras famílias detidas com filhos também recebem apoio financeiro, que soma até US$ 10 mil por semana.
A responsável pela iniciativa, que se chama Casey Revkin, mora na Califórnia e é mãe, disse à BBC que se coloca no lugar dessas famílias e imagina como deve ser difícil não conseguir oferecer o básico aos próprios filhos.
Segundo ela, ajudar de forma concreta nessas situações traz uma satisfação particular.
Origem do trabalho em 2018
O interesse pelos menores afetados por políticas migratórias americanas não surgiu agora.
Em 2018, durante o primeiro mandato do atual presidente Donald Trump, a californiana ficou sabendo que famílias estavam sendo separadas ao tentar cruzar a fronteira de forma irregular.
A partir disso, passou a ajudar essas famílias a organizar a documentação necessária para a reunificação, imprimindo papéis e reunindo voluntários para acompanhar responsáveis às reuniões de identificação.
Depois que Trump voltou à Presidência americana e prometeu conduzir a maior operação de deportação da história do país, a fundadora da iniciativa passou a buscar outras formas de auxiliar famílias como a do pai do caso citado.
O apoio financeiro direto para compras dentro dos centros se tornou uma das frentes de atuação.
Para famílias como a dele, o dinheiro enviado significou mais do que suprimentos básicos: foi uma forma de dar um pouco de dignidade aos filhos em meio à espera dentro do centro de detenção em Dilley.




