Uma técnica de refrigeração sem eletricidade que tem mais de dois mil anos de história voltou a ganhar atenção por sua simplicidade e custo zero. O sistema, chamado de pot-in-pot ou geladeira de argila, usa dois vasos de barro, areia úmida e um pano para manter frutas e verduras frescas por muito mais tempo do que em temperatura ambiente.
Como funciona
Um pote menor fica dentro de um pote maior, e o espaço entre eles é preenchido com areia úmida. A água absorvida pela areia atravessa as paredes porosas do barro externo e evapora para o ar. A evaporação retira calor do sistema, o que mantém o interior do pote menor em temperatura significativamente menor do que o ambiente.
O MIT D-Lab, laboratório de desenvolvimento do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, documentou a técnica e registrou reduções de até 10 graus Celsius em relação à temperatura externa.

Para montar, basta colocar o pote menor dentro do maior, preencher o espaço com areia, umedecer bem com água, colocar os alimentos dentro do pote menor e cobrir com um pano úmido. O único cuidado regular é manter a areia molhada, porque quando seca o processo para.
Onde funciona e não funciona
O sistema é mais eficiente em ambientes quentes e secos, onde a evaporação acontece mais rápido e o diferencial de temperatura é maior. Em ambientes úmidos, a evaporação é mais lenta e o efeito de resfriamento é menor.
O modelo não substitui a geladeira elétrica em todos os usos: não serve para armazenar proteínas como carnes e laticínios com segurança. Funciona melhor para frutas, verduras e legumes, que se conservam bem alguns graus abaixo da temperatura ambiente.
Uma invenção com história e usos reais
Em 1995, o professor nigeriano Mohammed Bah Abba adaptou o sistema para comunidades rurais sem energia elétrica no norte da Nigéria, onde o calor extremo causava perda de boa parte da produção agrícola antes de chegar ao mercado.
O projeto ganhou o Rolex Award for Enterprise em 2000 e foi replicado em diferentes países africanos. A versão de Abba permitia que tomates durassem até 27 dias e beringelas até 30, comparado a dois ou três dias em temperatura ambiente. Hoje, o MIT D-Lab usa a técnica em programas de segurança alimentar em regiões sem acesso regular à eletricidade.




