Uma reportagem da BBC News Brasil reuniu especialistas que explicam como o ronco do parceiro interfere no descanso de quem dorme ao lado, mesmo quando essa pessoa não percebe que está sendo acordada.
O ronco é provocado pela vibração dos tecidos moles das vias aéreas superiores durante o sono, segundo a dentista Clare Simon, especializada em odontologia do sono. Cerca de 40% dos adultos roncam com alguma frequência, e o problema é mais comum entre os homens, de acordo com a Associação Britânica do Ronco e da Apneia do Sono (BSSAA).
Nos Estados Unidos, 75% das pessoas que convivem com um parceiro roncador afirmam que o barulho prejudica o próprio sono, segundo pesquisa da Fundação do Sono.
O sono fragmentado vai além do incômodo
Quando o sono é interrompido repetidamente, a pessoa passa menos tempo nas fases mais restauradoras do descanso, o que resulta em cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração durante o dia, mesmo que ela não se lembre de ter acordado à noite.
O sono também é o momento em que o cérebro consolida memórias e processa as informações recebidas durante o dia. A fragmentação desse processo prejudica a capacidade de reter informações e pode afetar o humor e a regulação hormonal.
Meg Warren, de 29 anos, descreveu ao programa a sensação de acordar depois de uma noite ao lado de um parceiro que roncava muito como “uma ressaca, sem ter bebido nada”.
O ronco e o relacionamento
Clare Simon aponta que o sono interrompido pelo ronco pode gerar irritabilidade e discussões mais frequentes entre casais, já que ambos chegam ao dia seguinte com o sistema nervoso mais sensível.
Quando a solução encontrada é dormir em quartos separados, há queda de intimidade, o que pode criar outro tipo de tensão no relacionamento. Uma pesquisa da American Academy of Sleep Medicine registrou que 31% dos adultos norte-americanos dormiram separados do parceiro ocasional ou frequentemente em 2025.
O que pode ajudar
Para o ronco simples, sem apneia associada, Simon aponta que algumas mudanças de comportamento podem reduzir o problema: perder peso, parar de fumar, reduzir o consumo de álcool antes de dormir e mudar de posição, com preferência por deitar de lado em vez de de costas.
O uso de protetores bucais personalizados, que empurram levemente a mandíbula inferior para frente e mantêm as vias aéreas abertas, também é uma opção.
Quando o ronco é intenso e frequente, a recomendação é consultar um médico, que pode investigar a presença de apneia do sono ou de obstruções nasais tratáveis.




