Em 1960, durante as filmagens de “Rebelião a Bordo”, Marlon Brando subiu um dos picos mais altos do Taiti em um dia de folga e avistou, no horizonte, um atol brilhando sobre o oceano.
Aquela visão de Tetiaroa marcaria o restante da vida do ator, afinal, anos depois, ele se tornaria dono das 12 pequenas ilhas que formam o local.
Negociação levou seis anos até se concretizar
Contratar um pescador para levá-lo até o atol foi o primeiro passo de Brando. Lá, encontrou a proprietária da época, uma mulher já com dificuldades de visão que havia criado um sistema próprio para se locomover pela propriedade, segurando-se em fios estendidos entre as árvores.

Brando perguntou se ela toparia vender o local; a resposta, na ocasião, foi não. Anos depois, porém, enfrentando problemas de saúde, ela mudou de ideia. As negociações formais começaram em 1966 e só se concluíram em 1967, segundo a Tetiaroa Society, organização que hoje cuida da preservação do local.
Tetiaroa havia pertencido, no passado, à família real do Taiti, e passou por diversos proprietários privados antes de chegar às mãos de Brando por cerca de US$ 270 mil.
Ao lado do ator na produção do filme estava Tarita Teriipaia, atriz nascida na ilha polinésia de Bora Bora, que interpretava seu par romântico na trama e viria a se tornar sua terceira esposa.

Resort sustenta pesquisa e conservação ambiental no local
Brando nunca quis transformar Tetiaroa em um resort comercial convencional: seu projeto era preservar o isolamento e a beleza natural do atol, priorizando pesquisa científica e educação ambiental. Depois de sua morte, em 2004, familiares e parceiros construíram, em 2014, o resort de luxo “The Brando” em uma das ilhas, seguindo essa visão original.
Para proteger o habitat das tartarugas marinhas que desovam nas praias, as vilas do resort ficam afastadas da areia, e o acesso ao local só é permitido por avião particular, o que também ajuda a preservar o recife de coral ao redor.
Os resultados da conservação aparecem em números: na temporada de reprodução de 2024 e 2025, pesquisadores da organização Te mana o te moana, que monitora as tartarugas do atol há quase duas décadas, registraram mais de 430 rastros de tartarugas-verdes na areia, identificaram 113 fêmeas individuais e acompanharam cerca de 161 ninhos, dos quais emergiram um total estimado de 15.614 filhotes rumo ao mar.





