Moradores de Long Island, em Nova York, presenciaram uma transformação impressionante: o rio Patchogue River e a baía Patchogue Bay ficaram com tons avermelhados e rosados durante um dia inteiro.
O que parecia contaminação ambiental era, na verdade, um experimento científico controlado para rastrear o percurso da água após o tratamento.
Rio ficou vermelho por mais de 12 horas durante experimento que revelou o caminho da água tratada
Pesquisadores do Departamento de Conservação Ambiental de Nova York e da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos tingiam intencionalmente a água com um corante fluorescente.
O objetivo era acompanhar exatamente como a água tratada se dispersava no rio e na baía após sair da estação de tratamento da vila de Patchogue.
O corante utilizado foi a Rhodamine WT, uma substância fluorescente aprovada especificamente para estudos hidrológicos e aplicada em baixa concentração.
No dia 25 de março de 2024, foi liberado a partir da estação durante aproximadamente 12,4 horas, permitindo que os pesquisadores observassem visualmente e com equipamentos o movimento da água em tempo real.
Com esse marcador, a equipe conseguia monitorar informações críticas: a direção do deslocamento do efluente, a velocidade de movimento da água, como o material se espalhava na baía.
Também foi possível monitorar quais áreas seriam alcançadas em diferentes condições e como as correntes e marés influenciavam o comportamento da água.
Por que rastrear a água tratada importa?
O conhecimento sobre o caminho da água é essencial em regiões onde se coleta ostras, mariscos e outros moluscos.
Esses animais filtram grandes volumes de água e podem acumular contaminantes presentes no ambiente, representando risco alimentar se consumidos de áreas inadequadas.
Os dados coletados ajudam autoridades a definir zonas de segurança ao redor do ponto de descarga e determinar quais áreas precisam permanecer fechadas para a coleta de mariscos conforme as circunstâncias.
As informações também permitem prever para onde um contaminante se moveria em caso de vazamento, falha na estação ou descarga de água não tratada.
Com isso, autoridades conseguem antecipar quais áreas seriam atingidas primeiro, definir regiões que precisariam de interdição temporária, planejar a coleta de amostras, responder mais rapidamente a descargas acidentais e melhorar modelos de previsão da dispersão de contaminantes.





