Mulheres que se aproximam dos 40 anos ou já estão na menopausa costumam relatar dificuldade para encontrar palavras ou manter o raciocínio durante uma conversa. Essa combinação de esquecimentos, raciocínio mais lento e falta de concentração recebeu o apelido de “névoa mental”, também conhecida pelo termo em inglês “brain fog”.
O estrogênio, hormônio cuja queda caracteriza a menopausa, também atua no sistema nervoso central e tem papel direto na memória e no aprendizado, por isso a diminuição de seus níveis está na raiz do problema.
Com menos desse hormônio circulando, o cérebro passa a reagir de um jeito parecido com o de quem dorme mal: a informação existe na memória, mas o acesso a ela fica mais difícil.
Uma reação em cadeia no corpo
O raciocínio mais lento não depende apenas da queda hormonal. Ele resulta de uma sequência de efeitos no organismo. As ondas de calor repentinas, comuns sobretudo à noite, surgem porque a queda do estrogênio afeta o hipotálamo, a região do cérebro que regula a temperatura corporal.
O hipotálamo interpreta essas variações como superaquecimento, dilata os vasos sanguíneos e estimula a transpiração para dissipar o calor. Esse processo, combinado ao desgaste físico que ele provoca, reduz a oxigenação cerebral e compromete a capacidade de concentração. Os fogachos ainda têm ligação direta com a insônia, outro fator que interfere diretamente na memória.
O envelhecimento, por si só, também influencia a capacidade de memorização. Especialistas citam ainda a obesidade, a anemia e doenças inflamatórias crônicas como condições que podem intensificar os esquecimentos nessa fase.
O medo de que os lapsos sejam sinal de Alzheimer precoce ou outro tipo de demência também entra nessa equação, pois a ansiedade gerada por essa preocupação tende a piorar ainda mais a atenção e a memória.
Esses lapsos são passageiros e não indicam que a mulher desenvolverá quadros demenciais no futuro, dizem especialistas.
O peso da sobrecarga diária
Para muitas mulheres, a menopausa coincide com o auge da carreira e da vida pessoal. Período em que se acumulam cargos de liderança, cuidado com os filhos, atenção aos pais que envelhecem e gestão das contas da casa. Qualquer falha de concentração nesse contexto tem peso maior no cotidiano.
Um levantamento da Mayo Clinic, de 2023, mostrou que 13,4% das mulheres entrevistadas relataram ao menos um impacto negativo no trabalho relacionado aos sintomas do climatério. Outras 10,8% afirmaram já ter faltado ao trabalho por causa desses sintomas, o que evidencia como a névoa mental ultrapassa a esfera pessoal e chega ao ambiente profissional.
Os lapsos de memória também deixam marcas nos relacionamentos: datas importantes que passam despercebidas, momentos em que o raciocínio se perde no meio de uma conversa com o parceiro e a irritabilidade causada pelo cansaço mental acabam gerando atritos e mal-entendidos em casa.
Quando os esquecimentos passam a interferir na rotina, nos relacionamentos ou no desempenho profissional. Procurar avaliação médica especializada ajuda a identificar o que é parte natural da transição hormonal e o que exige acompanhamento mais próximo.
Adaptações na rotina também são essenciais: ajustar a alimentação, diminuir o consumo de álcool e praticar esportes regularmente fortalecem o corpo e amenizam os sintomas da menopausa.





