A Mercedes-Benz estuda ampliar a jornada anual de trabalho de parte de seus funcionários sem aumento de salário, em uma tentativa de reduzir custos e fortalecer sua competitividade diante da queda nas vendas em mercados estratégicos, como a China. A proposta ainda está em negociação com representantes dos trabalhadores na Alemanha e integra um plano global de reestruturação da montadora.
Caso seja aprovada, a medida poderá elevar a carga horária em até 260 horas por ano para alguns empregados, sem reajuste na remuneração. O objetivo da empresa é reduzir o custo por hora trabalhada e aumentar a produtividade das operações.
Medida faz parte de plano para reduzir custos da montadora
Segundo informações divulgadas pela agência Bloomberg, a Mercedes pretende discutir mudanças nas condições de trabalho como alternativa para enfrentar o cenário desafiador da indústria automotiva. Apesar da proposta, a empresa descartou demissões obrigatórias na Alemanha, onde acordos trabalhistas garantem maior proteção aos empregados até 2034.
Ainda assim, a fabricante avalia outras formas de reduzir despesas, como incentivar desligamentos voluntários e diminuir gradualmente o quadro de funcionários por meio da reposição parcial das vagas abertas.
Em entrevista à Bloomberg, a diretora de Recursos Humanos da Mercedes-Benz, Britta Seeger, afirmou que a companhia precisa avaliar todas as possibilidades para tornar suas operações na Alemanha mais competitivas frente aos concorrentes internacionais.
Paralelamente às negociações, a montadora também amplia o uso de inteligência artificial em suas fábricas e áreas administrativas. Segundo a executiva, a tecnologia tem acelerado processos internos e aumentado a produtividade em diferentes setores. Em alguns departamentos, a utilização das ferramentas já alcançou 100%, enquanto a meta da empresa é atingir cerca de 70% de adoção em toda a operação até o fim deste ano.
A estratégia faz parte do esforço da Mercedes-Benz para preservar sua competitividade em um mercado global cada vez mais pressionado por custos e pela transformação tecnológica.





