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Meta fecha acordo bilionário após ser acusada de tornar redes sociais viciantes

Por Júlio Nesi
04/09/2026
Meta fecha acordo bilionário após ser acusada de tornar redes sociais viciantes

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg. Foto: Anthony Quintano / Wikimedia Commons

A Meta, dona do Facebook e do Instagram, chegou no final de agosto a um acordo de até US$ 17,1 bilhões (cerca de R$ 88 bilhões) com 47 estados, o Distrito de Columbia e territórios dos Estados Unidos para encerrar um julgamento histórico que a acusava de projetar deliberadamente plataformas viciantes para crianças e adolescentes.

O acordo, anunciado pelos procuradores-gerais estaduais e ainda sujeito à aprovação da juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers, põe fim a um processo que havia começado em 18 de agosto no tribunal federal de Oakland, na Califórnia.

A empresa de Mark Zuckerberg negou qualquer irregularidade, mas aceitou pagar o valor bilionário, que é considerado o maior já firmado por uma empresa de tecnologia em ações de proteção ao consumidor nos EUA, e implementar mudanças em seus aplicativos.

Pelo acordo, as mudanças que a Meta terá que implementar para os jovens são:

  • Limitar o uso diário de adolescentes a duas horas por padrão em todas as plataformas;
  • Bloquear o acesso à noite, entre meia-noite e 6h da manhã;
  • Eliminar a rolagem infinita e obrigar pausas automáticas no feed para menores de 18 anos;
  • Restringir notificações durante o horário escolar e à noite;
  • Adotar feeds não personalizados para usuários adolescentes;
  • Reforçar a verificação de idade e a exclusão de contas de menores de 13 anos;
  • Expandir controles parentais para conteúdo potencialmente prejudicial.

O processo

A ação acusava a Meta de violar leis de proteção ao consumidor e a legislação federal de privacidade infantil (COPPA) ao criar funcionalidades que exploravam a psicologia de adolescentes, como recompensas variáveis, notificações constantes e o algoritmo de recomendação.

Além disso, a empresa ainda foi acusada de ocultar do público o impacto dessas práticas sobre a saúde mental dos jovens.

O caso ganhou destaque após reportagens, a primeira publicada pelo The Wall Street Journal em 2021, revelarem documentos internos em que engenheiros da empresa discutiam o efeito viciante das plataformas. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, foi um dos principais articuladores da ação.

“Hoje, garantimos um acordo com a Meta que tornará as redes sociais menos perigosas para nossos filhos e fará uma diferença enorme para crianças e suas famílias”, declarou Bonta em nota.

No entanto, a empresa afirmou que o acordo não constitui uma admissão de culpa e que as mudanças propostas já estavam alinhadas à sua “roadmap” de segurança.

“Garantir que os adolescentes tenham uma experiência segura e produtiva em nossas plataformas é uma prioridade absoluta para a Meta”, declarou a companhia em comunicado.

Dos US$ 17,1 bilhões, a Meta pagará inicialmente cerca de US$ 11,66 bilhões, com o restante distribuído em parcelas anuais ao longo de dez anos. Parte do valor é condicional e pode ser acionada caso outras plataformas, como TikTok, Snap e YouTube, não firmem acordos semelhantes.

Separadamente, a empresa concordou em pagar mais de US$ 1 bilhão ao Texas por acusações similares, elevando o total a aproximadamente US$ 18 bilhões.

Impacto global

O acordo já está repercutindo fora dos EUA. A ministra australiana das Comunicações, Anika Wells, afirmou que a decisão “abre uma nova frente” na luta global contra os danos das redes sociais a crianças.

Na Europa, onde a Lei de Serviços Digitais (DSA) já impõe obrigações semelhantes, analistas veem no acerto americano um precedente que pode acelerar a regulação em outras jurisdições.

A aprovação final do acordo pela Justiça Federal está prevista para as próximas semanas.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais. Cubro política, economia e empreendedorismo com foco em clareza e contexto. Tenho afinidade com pautas de sustentabilidade e meio ambiente (ESG) e causa animal. Trabalho com planejamento editorial, monitoramento de tendências e análise de desempenho. Também atuo com jornalismo investigativo e de dados.

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