O Ministério Público de São Paulo (MP/SP) denunciou criminalmente, nesta semana, o presidente do Corinthians, Osmar Stábile, por apropriação indébita qualificada em continuidade delitiva.
A peça, assinada pelo promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino, foi protocolada em 11 de setembro e aponta que o dirigente desviou R$ 721.194,66 dos cofres do clube para custear a empresa Bear Security, que, segundo a acusação, prestava serviço de segurança exclusivamente a ele e à sua família.
O esquema, segundo o MP
A denúncia detalha que Stábile autorizou 15 pagamentos à Bear Security entre julho de 2025 e agosto de 2026, com valores que variaram entre R$ 33 mil e R$ 65 mil por parcela. O MP destaca também que o clube realizou repasses à empresa durante oito meses antes da formalização de qualquer contrato, somando R$ 391.987,46 pagos sem amparo contratual.
O promotor afirma que a Bear Security emitia notas fiscais em nome do Corinthians, mas atuava de forma privada, em benefício pessoal do presidente. A peça cita, inclusive, registros fotográficos nos quais profissionais da empresa aparecem acompanhando familiares de Stábile em um passeio de barco e em um evento particular.
Outro ponto apontado pela Promotoria: a empresa não possuía autorização da Polícia Federal para operar como prestadora de serviços de segurança privada. A investigação foi instaurada a partir de representações apresentadas por sócios do clube.
Canos, reparação e pedidos cautelares
Além do prejuízo material de R$ 721.194,66, o MP pleiteia R$ 540.895,99 a título de danos morais ao Corinthians, elevando o total da reparação a aproximadamente R$ 1,26 milhão. Além da ação penal, o promotor formulou uma série de pedidos à Justiça, como:
- Bloqueio de R$ 721.194,66 em bens de Stábile para garantir o ressarcimento do clube;
- Proibição de acesso às dependências do Corinthians;
- Vedação de contato com testemunhas e dirigentes envolvidos;
- Suspensão de todas as funções associativas, incluindo representação institucional, participação em reuniões, negociações e atos administrativos;
- Proibição de saída do país sem autorização judicial;
- Autorização prévia para viagens nacionais superiores a oito dias.
Vale destacar também que as autoridades não requeriram a prisão preventiva de Stábile.
Defesa e resposta do clube
Stábile se manifestou por meio de sua defesa, em nota divulgada já nesta semana:
“Osmar Stabile, por meio de sua defesa, recebe com estranheza a denúncia apresentada pelo Promotor de Justiça Cássio Conserino, que tenta transformar em acusação criminal a contratação de uma equipe de segurança para o exercício da Presidência do Sport Club Corinthians Paulista. A segurança não foi contratada para Osmar como pessoa, mas em razão do cargo.”
A defesa sustenta que a contratação seguiu os procedimentos internos e o sistema de compliance do clube e afirma que eventual afastamento será questionado judicialmente.
Também nesta semana, o Corinthians publicou nota oficial reforçando que a denúncia “constitui uma acusação sujeita à análise do Poder Judiciário, que poderá recebê-la ou rejeitá-la. Sua apresentação não representa condenação, nem comprovação de responsabilidade criminal”.





