Uma moeda de 1 real que muitos brasileiros ainda guardam em carteiras, gavetas de mesa e cofres pode valer até 1.100 vezes mais do que seu valor de face. Trata-se da cédula comemorativa de 1998, emitida pelo Banco Central para marcar os 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH).
Com uma tiragem de apenas 600 mil unidades, a menor já registrada para uma moeda de R$ 1, a peça pode ser vendida entre R$ 600 e R$ 1.100, dependendo do estado de conservação. Em melhores condições, o valor tende a se aproximar do teto.
Além da tiragem e do estado de conservação, o valor dessa moeda vem da demanda crescente de colecionadores, impulsionado pelo aquecimento do mercado numismático brasileiro, que movimentou mais de R$ 30 milhões em leilões em 2022 e 2023, com forte participação de um público mais jovem atraído pelas redes sociais.
A moeda de 1998 é bimetálica, com núcleo de cobre-níquel e anel de alpaca, pesando 7,8 gramas e com diâmetro de 27 mm. No anverso, traz a imagem do globo terrestre com a inscrição “Declaração dos Direitos Humanos – Cinquentenário” e uma figura humana representativa do logotipo oficial do evento.
No reverso, linhas diagonais destacam a data e o valor facial de 1 real, enquanto o anel externo exibe a repetição do grafismo indígena marajoara. No catálogo numismático de referência (Amato), a peça é classificada com o código V-570.
O que o mercado está pagando?
Uma pesquisa em lojas especializadas revela uma faixa ampla de preços, conforme a conservação:
| Estado de conservação | Faixa de preço (R$) |
| Circulada (com desgaste) | 190 – 300 |
| MBC+ (muito boa conservação) | 287 – 400 |
| Flor de cunho (sem uso, brilho original) | 600 – 899 |
| Autenticada (NGC/PCGS) | até 1.100 |
A autenticação por entidades internacionais como a Numismatic Guaranty Corporation (NGC) ou a Professional Coin Authentication Service (PCGS) pode elevar o valor da peça, já que garante a originalidade e classifica objetivamente o estado de conservação.
Além da versão padrão, especialistas apontam outras variantes de 1998 que podem elevar ainda mais o preço, como unidades com erros de cunhagem e outras características que tornam a moeda mais “única”:
- Erro de cunhagem (reverso invertido): pode atingir R$ 1.200;
- Núcleo deslocado: falha na produção em que o núcleo interno sai do centro, com preços entre R$ 500 e R$ 1.500;
- Série “prova” (letra P ao lado do ano): lote de teste da Casa da Moeda, com valores que chegam a R$ 5.000.
Mercado numismático em expansão
A numismática, ciência que estuda e coleciona moedas, cédulas e medalhas, vive um momento de forte crescimento no Brasil. Dados da plataforma LeilõesBR, um dos sistemas de leilão mais usados por colecionadores no país, apontam que o mercado de moedas movimentou R$ 31 milhões em 2023, após ultrapassar a marca de R$ 33 milhões em 2022.
De acordo com analistas, o interesse foi impulsionado, em grande parte, pelas redes sociais, onde vídeos e posts sobre moedas raras e erros de fabricação viralizaram, atraindo um público mais jovem.
O fenômeno é tão forte que moedas com falhas de fabricação, como a bifacial (mesmo desenho nos dois lados), já alcançam R$ 8.000 em leilões especializados.





