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Não vai ser IA e nem guerra: estudo determina fim do mundo daqui a um mês

Por Jeferson da Rosa
19/10/2026
Guerra estudo determina fim mundo

Imagem: Pixabay

O dia 13 de novembro de 2026 deve passar sem nenhum sobressalto. Mas essa é a data que pesquisadores, ainda em 1960, apontaram como o momento em que a espécie humana chegaria ao colapso. Embora a profecia tenha falhado, a história por trás dessa equação revela como a ciência tenta antecipar o futuro.

Essa conta catastrófica partiu de um medo bastante concreto para a época: em meados do século 20, o ritmo acelerado de crescimento populacional fazia crescer a dúvida sobre se haveria comida e recursos naturais para todos. Foi esse temor que o físico e cibernético Heinz von Foerster decidiu traduzir em equações, trabalho que desenvolveu ao lado de dois alunos, Patricia Mora e Lawrence Amiot.

Saiu na revista Science, em 4 de novembro de 1960, o estudo com a conclusão de que a aceleração do crescimento populacional não teria freio, chegando a um valor infinito exatamente no dia 13 de novembro de 2026.

Como uma fórmula virou profecia

Von Foerster e seus colegas reuniram 24 estimativas da população mundial referentes a períodos anteriores e construíram um modelo de crescimento hiperbólico. Uma curva que sobe cada vez mais rápido caracteriza esse tipo de crescimento. Ele acelera mais intensamente do que o crescimento exponencial, no qual uma quantidade aumenta proporcionalmente ao seu tamanho.

O modelo se baseava na observação de que os intervalos entre duplicações da população mundial vinham diminuindo, sugerindo que a aceleração continuaria sem limite.

A conclusão foi dramática: os pesquisadores escreveram que os descendentes da humanidade não morreriam de fome, mas seriam esmagados pela própria multidão. Reconheciam que reduzir pela metade a taxa global de natalidade evitaria o cenário extremo, mas, mesmo assim, a ideia ganhou força fora do meio acadêmico.

Revistas como Time e jornais como The New York Times divulgaram a profecia, que entrou em livros didáticos, debates sobre ecologia e até em tirinhas de humor.

Entre as décadas de 1960 e 1980, o modelo de von Foerster produzia projeções próximas da realidade. O economista Javier Birchenall, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, analisou esse fenômeno. Segundo ele, em certos períodos as projeções hiperbólicas se mostraram mais precisas do que os métodos demográficos tradicionais, que acabaram ficando abaixo do crescimento populacional real nos anos 1960 e 1970.

Essa precisão inicial legitimou as equações e ajudou a disseminar a profecia por décadas.

Mas por volta de 1993, a realidade começou a se desviar. A população mundial passou a crescer abaixo do ritmo previsto pela curva, derrubando a previsão de catástrofe. A causa foi a desaceleração da fecundidade, a redução do número médio de filhos por mulher, um fenômeno que von Foerster e seus colegas não haviam antecipado adequadamente.

Essa queda refletiu transformações sociais, econômicas, mudanças nos padrões familiares e acesso à educação e aos métodos contraceptivos. A fecundidade caiu em diversos países nas décadas seguintes, afastando a realidade da curva projetada.

Números que contam outra história

Os dados atuais revelam a distância entre aquela previsão e o mundo real. A fecundidade mundial caiu de 4,7 filhos por mulher, em 1960, para 2,2, em 2024, segundo o Banco Mundial. Segundo projeções da ONU, a população mundial atingirá o pico de 10,3 bilhões em 2080.

A desaceleração não aconteceu de forma uniforme: países e regiões apresentam ritmos e desafios demográficos distintos, que refletem diferenças nas políticas de saúde, educação e economia. Enquanto alguns enfrentavam preocupações com a explosão populacional, outros agora lidam com o envelhecimento e a queda no número de nascimentos, o inverso do cenário que assombrava von Foerster e seus contemporâneos.

A equação que prometia o infinito esbarrou em uma realidade mais complexa do que os números de 1960 conseguiam captar. Ela também deixou uma lição mais ampla: toda projeção carrega as hipóteses de quem a construiu, e tratar essas hipóteses como se fossem eternas é o que pode levar até os cálculos mais sofisticados a erros de previsão.

Von Foerster, que naquela época também se dedicava à mágica de palco, havia nascido em 13 de novembro, a data que escolheu para o colapso. A combinação entre argumentação científica e apresentação extraordinária manteve o artigo relevante por décadas. O caso mostra como chamar a atenção para um assunto sério por meio do absurdo pode ser um truque poderoso.

O modelo de von Foerster não funcionou porque presumia que a população continuaria acelerando indefinidamente. Essa hipótese ignorava que as pessoas poderiam ter menos filhos por razões sociais, econômicas ou tecnológicas. Embora o estudo reconhecesse que reduzir pela metade a taxa de natalidade evitaria o colapso, tratava essa possibilidade como improvável, não como uma tendência que poderia ocorrer naturalmente.

Na realidade, o acesso à educação, especialmente das mulheres, a disponibilidade de métodos contraceptivos e as mudanças nos padrões familiares fizeram exatamente o que os pesquisadores consideravam improvável: reduziram a fecundidade em diversos países e desviaram a população da trajetória catastrófica.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Jeferson da Rosa

Jeferson da Rosa

Jornalista apaixonado pela profissão.

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