Uma técnica desenvolvida no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, na Califórnia, criada para analisar imagens de satélites e revelar detalhes da superfície de Marte, está sendo usada por arqueólogos para encontrar pinturas rupestres e registros históricos que ficaram invisíveis com o passar dos séculos.
A NASA divulgou nesta semana exemplos do antes e depois da técnica aplicada a sítios arqueológicos.
O que é o DStretch e como chegou à arqueologia
A técnica é chamada de decorrelation stretch, ou DStretch. Ela intensifica os contrastes em imagens digitais ao redistribuir os dados de cor entre os canais da foto, tornando visíveis diferenças sutis que o olho humano não consegue captar.
Foi desenvolvida no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA para extrair mais informação das imagens captadas pelo satélite Terra, lançado em 1999 com o instrumento japonês ASTER a bordo.
Em 2005, o entusiasta de arte rupestre Jon Harman assistia a uma conferência quando viu imagens de Marte com e sem a técnica aplicada. Ele reconheceu o potencial do método para revelar pinturas desbotadas em rochas.
Harman leu um artigo técnico de 1996 escrito por Ronald Alley, pesquisador do JPL, aprendeu o algoritmo por conta própria e criou o plug-in DStretch para uso com o ImageJ, programa de código aberto dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Desde então, atende cerca de 200 pedidos por ano, a US$ 50 cada.
O que já foi descoberto com o método
O uso mais citado do DStretch aconteceu entre 2010 e 2012, quando o arqueólogo singapuriano Noel Hidalgo Tan o utilizou no templo de Angkor Wat, no Camboja.
Ele encontrou mais de 200 pinturas desbotadas, praticamente invisíveis a olho nu, incluindo imagens de cavaleiros e de um conjunto musical tradicional khmer no alto da torre central, trecho por onde passam milhares de visitantes diariamente sem perceber nada.
Em outros sítios, o método revelou imagens de morcegos e porcos num cemitério do Egito Antigo em Beni Hassan, animais raramente encontrados na arte egípcia clássica.
No parque provincial Writing-on-Stone, no Canadá, o DStretch identificou um pictograma de um guerreiro Crow a cavalo, interpretado como uma espécie de assinatura deixada para provocar inimigos Blackfoot. Em 2023, pesquisadores da Universidade de Tübingen publicaram um protocolo para usar a técnica em tatuagens preservadas em múmias.
A imagem divulgada pela NASA nesta semana foi tirada na Caverna de San Borjitas, em Baja California, no México, e mostra como figuras praticamente imperceptíveis na foto original se tornam nítidas com a técnica aplicada.





