A alimentação afeta diretamente o funcionamento cerebral, mas muitos brasileiros se preocupam apenas com a balança ou a pressão arterial.
O consumo regular e excessivo de sal e açúcar compromete a memória, o raciocínio e a capacidade de aprendizado, segundo evidências científicas recentes.
Não basta evitar esses alimentos: é preciso entender por que eles prejudicam o cérebro.
Um estudo publicado na revista Nature Neuroscience demonstrou que o excesso de sódio está associado a déficits cognitivos.
Quando animais foram alimentados com uma dieta rica em sal durante 12 semanas, os pesquisadores observaram alterações nos vasos sanguíneos cerebrais e redução significativa do fluxo de sangue para o cérebro.
O hábito presente na rotina de muitos brasileiros que pode se tornar um inimigo da saúde do cérebro
Os efeitos observados nos testes foram além das estruturas vasculares.
Após semanas de consumo elevado de sódio, os animais tiveram piora na capacidade de memorização e raciocínio.
Segundo os autores da pesquisa, o mecanismo envolve a redução do óxido nítrico e o aumento de fósforo na proteína tau.
Esses processos comprometem a circulação cerebral e afetam as funções cognitivas.
Quando a produção de óxido nítrico é reestabelecida, a melhora na capacidade cognitiva ocorre naturalmente.
Isso significa que diminuir o sal não é apenas uma medida de saúde geral, é um investimento direto na preservação da memória e da clareza mental ao longo dos anos.
Enquanto o sal atua sobre os vasos, o excesso de açúcar tem outro efeito prejudicial.
Pesquisas indicam que dietas ricas em açúcar aumentam a inflamação cerebral e dificultam a memória.
Ratos alimentados com dietas ricas em açúcar tiveram desempenho reduzido em testes que exigiam a recordação de informações espaciais.
A inflamação cerebral é um processo silencioso que não gera sintomas imediatos, mas se acumula com o tempo e favorece o surgimento de doenças cerebrovasculares e do declínio cognitivo progressivo.
O alto consumo de sal e açúcar acelera esse processo inflamatório. Uma dieta variada tem efeito oposto sobre a saúde cognitiva.
Uma pesquisa publicada no American Journal of Clinical Nutrition e conduzida pela Universidade Tufts, nos Estados Unidos, acompanhou 2.801 pessoas durante quase 20 anos e analisou o consumo de seis tipos de flavonoides presentes naturalmente em vegetais.
Entre os participantes, foram identificados 198 casos de demência, dos quais 158 foram diagnosticados como Alzheimer.
O consumo regular de alimentos ricos em flavonoides, como uva, maçã e certos tipos de chá, reduziu em até quatro vezes o risco de Alzheimer e de outras demências ligadas à doença.
Manter uma alimentação equilibrada até os 70 anos contribui para prevenir a demência e sustentar a saúde mental, de acordo com o Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim.
O papel dos nutrientes na cognição e passos práticos para proteger o cérebro
Quando frutas, verduras e legumes ficam de lado e frituras, industrializados e embutidos dominam o prato, o corpo passa a receber menos vitaminas, minerais e antioxidantes essenciais.
A falta desses nutrientes favorece a inflamação e o acúmulo de substâncias nocivas no organismo, criando condições para doenças cerebrovasculares.
O Brasil tem mais de 1,2 milhão de pessoas com Alzheimer, e esse número deve chegar a 4 ou 5 milhões até 2050 se os hábitos não mudarem.
Cada escolha alimentar funciona como uma barreira natural contra esse risco silencioso, que se acumula ao longo das décadas.
Reduzir alimentos industrializados e açucarados não exige transformação radical da rotina.
Trocar o saleiro por temperos naturais, substituir doces e refrigerantes por frutas como maçã e uva, e aumentar a presença de verduras no prato são medidas simples que protegem a memória.
A dificuldade recorrente para lembrar compromissos ou informações recentes pode ser um sinal de que a alimentação precisa de ajustes.
Rever o cardápio antes que o declínio se agrave ajuda a preservar a capacidade cognitiva e a evitar danos ao cérebro que levam anos para se manifestar.





